Com show de Ounahi e paredão Bono, Marrocos despacha o Canadá e avança para as quartas
O rótulo de “revelação da Copa do Mundo”, conquistado em 2022 no Catar, ficou definitivamente no passado. Atualmente, nenhuma seleção ousa encarar Marrocos como um adversário menor. A evolução da equipe é uma realidade incontestável e linear, consolidando os marroquinos no atual Mundial como candidatos legítimos ao título, e não mais como coadjuvantes que apenas surpreendem.
O grande diferencial nesta campanha vai além do futebol envolvente: está na eficiência e na competitividade. A seleção marroquina assimilou que o sucesso em um torneio desse porte exige um profissionalismo impecável, algo que historicamente faltou a outras grandes forças africanas — como Senegal nesta mesma edição. Ao aliar qualidade técnica a uma postura extremamente madura, Marrocos deixou de ser apenas um “osso duro de roer” para os gigantes e se transformou em um deles.
O despertar de Ounahi e o brilho de Bono
No aspecto individual, a Copa do Mundo do meio-campista Ounahi ganhou novos contornos. Após uma fase de grupos abaixo das expectativas, o jogador cresceu no momento mais agudo da competição. Diante do Canadá, ele foi o motor da equipe, aliando uma intensidade física impressionante a uma leitura tática refinada. O prêmio por sua grande atuação veio em forma de gols: duas bolas na rede que carimbaram o passaporte marroquino para as quartas de final, justificando os elogios que Luis Enrique já lhe fazia há quatro anos.
A classificação, no entanto, também passou pelas mãos — e pelos pés — de Yassine Bono. No início do confronto, o atacante canadense Oluwaseyi protagonizou um dos lances mais plásticos do Mundial ao girar com extrema rapidez sobre o zagueiro Halhal e desferir um chute rasteiro e potente. O gol parecia inevitável, mas Bono, demonstrando um poder de antecipação impressionante, esticou a perna esquerda no momento exato do impacto para realizar uma defesa monumental e evitar o gol adversário.
Rigidez, estratégia e o caminho rumo à semifinal
A tônica do confronto foi marcada pela forte marcação e pelo nervosismo. Um dado histórico da consultoria Opta traduziu o cenário da primeira etapa: pela primeira vez em Copas do Mundo desde que os registros começaram a ser feitos, em 1966, um primeiro tempo terminou com mais cartões amarelos aplicados (seis) do que finalizações a gol (apenas cinco).
Diante de um jogo tão amarrado, a vaga entre os oito melhores acabou sendo decidida nos detalhes. Marrocos garantiu a vitória graças a uma jogada de bola parada ensaiada perfeitamente. Em uma cobrança de falta lateral, enquanto a defesa canadense esperava o cruzamento na área, a bola foi rolada rasteira para a meia-lua. Totalmente livre de marcação, Ounahi finalizou com precisão para decretar o triunfo e provar que o laboratório tático é um diferencial decisivo em mata-matas.
Com a vaga assegurada, os marroquinos agora aguardam o desfecho do confronto entre Paraguai e França para conhecer seu adversário na semifinal.