Copa insana: as potências que caíram e as armadilhas que esperam os favoritos nas oitavas
O drama intenso que marcou a fase de 32 avos de final ficou para trás, dando lugar à expectativa de confrontos ainda mais tensos e com apostas consideravelmente maiores nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026. O torneio já se despediu de potências europeias tradicionais como Holanda e Alemanha. Enquanto isso, a Inglaterra sobreviveu a um susto enorme contra a República Democrática do Congo.
Por outro lado, a França carimbou sua vaga sem dificuldades diante da Suécia, a Noruega arrancou uma classificação dramática sobre a Costa do Marfim e a Bélgica buscou uma virada espetacular contra o Senegal. O ápice da emoção, contudo, ficou para os momentos derradeiros da rodada: Portugal buscou forças nos acréscimos para despachar a Croácia, e a Argentina precisou do tempo extra para conter o ímpeto de um inspirado Cabo Verde. Os resultados desenharam embates eletrizantes, ordenados aqui do mais imperdível ao menos vistoso.
O clássico ibérico no topo das atenções
Espanha e Portugal reeditam no dia 6 de julho uma rivalidade histórica que ganha mais um capítulo em Copas do Mundo. O retrospecto recente traz à memória o eletrizante empate em 3 a 3 na fase de grupos de 2018, além da final da Liga das Nações da UEFA no último verão europeu, onde os portugueses levaram a melhor nos pênaltis. Após um início claudicante, a Espanha parece ter encontrado o encaixe ideal, ostentando o status de uma das duas únicas seleções que ainda não sofreram gols na competição. O grande foco gira em torno de Lamine Yamal, o jovem prodígio de 18 anos que tenta carimbar a eliminação de Cristiano Ronaldo naquela que deve ser a última Copa do craque. Com elencos recheados de estrelas, o confronto promete ser o ponto alto desta fase.
Pressão, altitude e a mística do Azteca
O duelo entre Inglaterra e México, agendado para 5 de julho, reúne todos os ingredientes de uma grande noite de futebol. Os ingleses, desgastados psicologicamente após a batalha contra a República Democrática do Congo, terão o desafio extra de viajar ao sul para encarar o El Tri no emblemático e hostil Estádio Azteca. O México conta não apenas com o calor de sua torcida e a altitude, mas também com um dia a mais de descanso. No desenho tático, Declan Rice e Elliot Anderson carregarão o piano no meio-campo inglês para tentar ditar o ritmo e frear o ímpeto local. No ataque, embora Harry Kane faça um bom torneio, ele precisará de maior colaboração de Jude Bellingham e das pontas. Pelo lado mexicano, a velocidade de Julián Quiñones e a experiência de Raúl Jiménez prometem transformar a partida em um confronto franco e aberto.
O fenômeno escandinavo contra o jogo bonito
Também no dia 5 de julho, a Noruega pisa pela primeira vez em um gramado de oitavas de final com uma arma letal: Erling Haaland, que já balançou as redes cinco vezes em apenas três partidas. O grande dilema escandinavo reside na capacidade de sua linha defensiva suportar a pressão e a qualidade da saída de bola contra a seleção brasileira. Martin Odegaard será a engrenagem vital no meio-campo, precisando de lucidez para encontrar espaços em um setor brasileiro que por vezes peca pela falta de velocidade. No entanto, o Brasil carrega o favoritismo técnico com o poder de decisão de Vinicius Junior e Matheus Cunha. Há uma clara necessidade de ajuste no ataque norueguês, que perdeu fluidez com Alexander Sorloth improvisado na ponta para dar lugar a Haaland — um cenário que a entrada de Oscar Bobb poderia corrigir.
O choque de estilos em Vancouver
No dia 7 de julho, as discretas seleções de Suíça e Colômbia medem forças em Vancouver em um embate de prognóstico intrigante. Os suíços representam a tradicional solidez do futebol europeu, pautados pela disciplina tática, defesa bem postada e nomes perigosos na frente, como Breel Embolo e Johan Manzambi. Longe de ser brilhante, é uma equipe cirúrgica e capaz de avançar se conseguir amarrar o ritmo do jogo. Já a Colômbia aposta na transição física e na intensidade para acelerar a partida. O atacante Luis Díaz, atualmente no Bayern de Munique, é a principal válvula de escape e perigo constante, enquanto Daniel Muñoz, do Crystal Palace, oferece apoio ofensivo agressivo pelo corredor direito.
Velha guarda belga contra a juventude americana
A Bélgica carimbou sua classificação no dia 6 de julho após um verdadeiro teste cardíaco contra o Senegal, resolvido com dois gols nos minutos finais e um pênalti na prorrogação. Se por um lado a vitória épica injeta confiança, por outro expôs as fragilidades de uma geração onde referências como Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku começam a sentir o peso da idade e o desgaste físico. Os Estados Unidos, contudo, entram em campo com um desfalque de peso: o atacante Folarin Balogun cumpre suspensão após ser expulso. Para surpreender os europeus, os americanos precisarão calibrar a pontaria nas chances criadas a partir de sua tradicional pressão alta, apostando que o vigor físico prevalecerá à medida que o jogo se abrir.
O desafio dos atuais campeões contra o Faraó
A Argentina sofreu muito mais do que o esperado contra Cabo Verde, permitindo o empate por duas vezes e carimbando a vaga apenas graças a um gol contra na prorrogação. O desempenho protocolar acendeu um sinal de alerta e a estafa física dos atuais campeões foi evidente, gerando questionamentos sobre o que acontecerá quando enfrentarem equipes de primeiro escalão. O próximo adversário, contudo, é o Egito no dia 7 de julho. Embora contem com o faro de gol de Mohamed Salah e Omar Marmoush, os egípcios sofrem com a falta de estofo coletivo para neutralizar Lionel Messi. O primeiro gol da partida ditará o tom do confronto, já que os argentinos se sentem confortáveis controlando o placar, mas ainda não foram verdadeiramente testados em cenários de desvantagem.
O sonho canadense diante da solidez marroquina
A seleção de Marrocos entra em campo no dia 4 de julho mostrando uma versão ainda mais madura e equilibrada do que a que surpreendeu o mundo em 2022. Com mescla ideal entre jovens talentos e veteranos, a equipe tem em Achraf Hakimi o seu grande mentor tático pela lateral direita, somado ao grande momento do artilheiro Ismael Saibari. O Canadá precisará de uma atuação defensiva irretocável para resistir à pressão territorial durante os 90 minutos. O retorno de Alphonso Davies, recuperado na vitória contra a África do Sul, dá fôlego aos canadenses, mas o setor ofensivo ainda carece de inspiração. O técnico Jesse Marsch terá que se valer de sua capacidade motivacional para fazer o elenco competir no limite.
O david paraguaio diante do golias francês
Também no dia 4 de julho, o Paraguai tenta operar mais um milagre na Filadélfia após chocar o mundo ao eliminar a Alemanha. O desafio agora, contudo, atende pelo nome de França. Com Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé inspirados na conclusão e Michael Olise servindo como o principal garçom do torneio, o ataque francês tem sido simplesmente avassalador. Pouco testada defensivamente até aqui, a França entra em campo amplamente favorita. A estratégia paraguaia não deve fugir de uma retranca severa na expectativa de punir os Bleus em uma bola vadia — uma tática improvável, mas que já funcionou nesta Copa. Caso a França balance as redes cedo, o confronto corre o risco de ser liquidado ainda na etapa inicial.