Conta de luz vai pesar mais: Aneel projeta alta de 8,6% em 2026
Os consumidores brasileiros devem se preparar para um aumento médio de 8,6% nas contas de energia elétrica ao longo de 2026. A projeção foi confirmada nesta sexta-feira (12) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e preocupa, uma vez que supera as expectativas inflacionárias calculadas pelo próprio órgão, que previu 4,9% para o IPCA e 5,8% para o IGP-M no mesmo período.
O que pressiona as tarifas
De acordo com o boletim da reguladora, o reajuste é impulsionado principalmente por três pilares: a elevação nos custos de geração de energia, ajustes em componentes financeiros e, fundamentalmente, o crescimento da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A CDE é o encargo responsável por subsidiar políticas públicas, como a tarifa social, descontos para energias renováveis e o suporte a áreas isoladas do Sistema Interligado Nacional (SIN).
Somente os componentes financeiros somados à CDE possuem um impacto agregado de 4,3% no efeito tarifário médio. Em termos práticos, a Aneel estima que, até o final de 2026, a tarifa residencial B1 — referência para o consumidor comum — alcance o valor de R$ 851 por megawatt-hora (MWh), excluindo os impostos incidentes.
Fatores de alta e mitigação
O “subsidiômetro” da Aneel revela que o volume de subsídios atingiu R$ 55 bilhões no período de junho de 2025 a maio de 2026. Entre os itens que mais elevam o custo, destacam-se a parcela da CDE destinada a políticas públicas (impacto de 3,0%), a Conta de Variação de Valores (CVA), que compensa diferenças de custos previstos, e os encargos da CDE, ambos com impacto positivo de 2,9% cada.
Por outro lado, alguns fatores atuam como redutores dessa pressão. A compensação referente à geração distribuída (CDE GD) diminui o efeito médio em 1,6%, mesmo percentual de redução trazido pela devolução de créditos de PIS/Cofins e pelo uso de recursos de Uso do Bem Público (UBP). Vale destacar que, embora o UBP ajude a reduzir a conta, o potencial de alívio do PIS/Cofins foi reduzido após uma revisão nas estimativas, que caiu de R$ 6,4 bilhões para R$ 5,3 bilhões.
Apesar da alta média nacional, nem todos os consumidores enfrentarão o mesmo cenário. Cerca de 22 distribuidoras que atendem regiões da Sudam e Sudene — abrangendo estados do Norte e Nordeste, além de Mato Grosso e partes de Minas Gerais e Espírito Santo — podem registrar quedas de até 5,8% em suas tarifas. Este alívio será financiado pelo UBP, embora os valores definitivos dependam da conclusão dos processos tarifários individuais ao longo do ano.
Adicionalmente, um movimento de alívio está previsto para agosto. Consumidores residenciais e rurais conectados ao SIN, com consumo mensal abaixo de 350 kWh, podem receber um crédito na fatura referente ao Bônus de Itaipu. A área técnica da Aneel propôs a mudança do crédito de julho para agosto de forma permanente a partir de 2026, medida que ainda aguarda aprovação oficial da diretoria da agência.