Como vencer as tentações do mundo
“Pois tudo o que há no mundo, a cobiça da carne, a cobiça dos olhos e a ostentação dos bens, não provém do Pai, mas do mundo.” (1 João 2:16)
Esta passagem bem conhecida identifica três fontes de poder ímpio que, se não forem vigiadas, enredarão o cristão em um estilo de vida pecaminoso. A luxúria é um desejo avassalador por aquilo que Deus proibiu, e 1 João 2:15–16 categoriza três tipos de inclinações que nos conduzem ao pecado.
O primeiro ponto é a cobiça da “carne”, referindo-se aos desejos corporais. Nesse contexto, não se trata de necessidades físicas naturais, mas de qualquer desejo excessivo ou inadequado, desde a gula até a impureza sexual.
Esse poder sensual é uma reação emocional e voltada ao corpo, composta por apetites que não podem agradar a Deus (Romanos 8:8) e que guerreiam constantemente contra o Espírito (Gálatas 5:17). A Bíblia nos exorta a “fugir dos desejos malignos da juventude” (2 Timóteo 2:22), pois somos feitos de modo especial por Deus (Salmo 139:14). Quando permitimos que essa cobiça conceba o pecado, tornamo-nos responsáveis pelo que nos arrasta à morte, conforme adverte Tiago 1:13-15.
O segundo ponto são os desejos dos “olhos”. Este termo vai além do que vemos literalmente; abrange também o campo da imaginação e daquilo que permitimos ocupar nossos “olhos mentais”.
O poder visual é uma estimulação que atrai o intelecto e a imaginação. Uma vez que o olho é a lâmpada do corpo (Mateus 6:22-23), se essa cobiça não for cuidadosamente contida (Jó 31:1; 2 Pedro 2:14), ela assumirá o controle do nosso comportamento e direcionará nossas ações.
O terceiro ponto é “a ostentação dos bens”, ou o orgulho da vida. Refere-se a desejos pecaminosos que buscam chamar a atenção para si mesmo, manifestados no hábito de vanglória. Jesus, ao enfrentar as tentações do diabo (Mateus 4:1–11), demonstrou como resistir a esse orgulho, que Ele classificou como pecado (Marcos 7:22).
Este é um desejo de dominação ego-orientado, que ignora princípios éticos e busca apenas o louvor dos homens em vez do de Deus (João 12:43). Movido pela “mente natural” (1 Coríntios 2:14) e por um coração enganoso (Jeremias 17:9), esse orgulho distorce o comportamento humano, transformando-o em uma litania de impiedade que ama o prazer mais do que a Deus (2 Timóteo 3:1-5).
Ceder a esses poderes mundanos pode proporcionar prazeres por “uma temporada” (Hebreus 11:25), mas certamente nos tornará inimigos de Deus (Tiago 4:4). É fundamental compreender que esses desejos não provêm do Pai; por isso, quem ama o mundo não possui o amor de Deus (1 João 2:15).
Os cristãos não devem moldar suas atitudes pelos padrões dos incrédulos. Enquanto o mundo pertence à era das trevas, decidindo tudo com base no ego e no status, os cristãos pertencem à nova era da luz. Devemos pautar nossas decisões pelos valores do Reino eterno de Deus. Que nosso Senhor Jesus nos conceda forças para permanecermos armados contra tais “artimanhas” (Efésios 6:11), cobertos e protegidos com a “armadura completa de Deus” (Efésios 6:13-17).
Salete Sartori colunista do Devocional do dia