Ebola fora de controle? ex-diretor do CDC alerta para risco iminente de “grande pandemia”
O avanço do vírus Ebola no continente africano pode estar prestes a atingir proporções catastróficas. Segundo o médico americano Robert Redfield, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA durante o primeiro mandato de Donald Trump, é bastante provável que o atual surto se transforme em uma grave pandemia internacional. Em entrevista recente à emissora News Nation, o especialista demonstrou profunda preocupação e apontou que a contaminação deve se expandir em breve para nações vizinhas como Tanzânia, Sudão do Sul e, possivelmente, Ruanda.
Falhas na detecção e resposta internacional
De acordo com a avaliação de Redfield, a gravidade da situação atual decorre diretamente da lentidão na resposta inicial das autoridades de saúde. Ele enfatizou que o surto demorou a ser identificado, o que gerou um atraso inexplicável na emissão dos alertas globais e permitiu a propagação silenciosa da doença. Diante do cenário crítico, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou o surto — concentrado em Uganda e na República Democrática do Congo — como uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional. Dados divulgados pelo Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, confirmam mais de 130 mortes e um volume que já supera os 500 casos suspeitos na região.
O Desafio científico e a cepa Bundibugyo
A escalada da crise é agravada pelas características biológicas da própria ameaça. O surto atual é provocado pela cepa Bundibugyo, uma variante do vírus que se destaca pelo alto poder de contágio. A situação se torna ainda mais dramática pelo fato de não existirem vacinas aprovadas ou tratamentos específicos disponíveis no mercado para combater essa linhagem. Segundo estimativas da própria OMS, embora existam imunizantes promissores em desenvolvimento, nenhum deles estará pronto para distribuição antes de um prazo mínimo de seis meses.
Como reflexo do avanço da doença, governos estrangeiros já começaram a adotar medidas severas de contenção. Os Estados Unidos anunciaram o envio de 23 milhões de dólares em fundos emergenciais para auxiliar no combate ao surto em solo africano. Paralelamente às ações de ajuda humanitária, a Casa Branca impôs restrições rígidas de fronteira, proibindo a entrada em território americano de qualquer cidadão estrangeiro que tenha visitado a República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul nos 21 dias anteriores à viagem.