Flávio Bolsonaro reage a Zema e nega explicações sobre elo com banqueiro: ‘Não tenho que justificar nada para ninguém’
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) minimizou nesta sexta-feira (15) suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, recentemente preso pela Polícia Federal, e afirmou categoricamente que não deve justificativas sobre o caso. As declarações ocorrem após a revelação de áudios e mensagens de texto pelo portal “Intercept Brasil”, nas quais o parlamentar se refere ao dono do Banco Master como “irmão” e solicita recursos para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ao comentar o caso durante um evento oficial no Rio de Janeiro, o senador argumentou que os contatos ocorreram em um período em que Vorcaro era uma figura influente e de livre trânsito entre autoridades e meios de comunicação. Flávio Bolsonaro enfatizou que se tratava de uma busca legítima por investidores para um projeto estritamente privado, sem qualquer irregularidade ou uso de verba pública. A Polícia Federal, no entanto, apura se repasses que somam R$ 61 milhões teriam sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Atualmente, Vorcaro cumpre prisão preventiva em Brasília sob a acusação de liderar um esquema de fraudes financeiras estimado em R$ 12 bilhões.
Mudanças de versão e foco nas emendas
A postura do parlamentar fluminense mudou ao longo da semana. Logo após a publicação da reportagem, Flávio negou veementemente ter solicitado o dinheiro ao banqueiro. Pouco tempo depois, recuou e confirmou o contato, justificando a ação como o esforço de um filho em busca de patrocínio privado para homenagear o pai. Embora a produtora responsável pelo longa-metragem, a GOUP Entertainment, negue o recebimento de aportes de Vorcaro ou de suas empresas, a produtora entrou no radar do Supremo Tribunal Federal. Uma investigação preliminar apura o suposto direcionamento de R$ 2 milhões em emendas parlamentares do deputado Mário Frias (PL-SP), que atua como produtor executivo do filme, para uma ONG presidida pela mesma comandante da produtora cinematográfica. Frias também nega irregularidades.
O pronunciamento de Flávio Bolsonaro foi feito no Quartel-General da Polícia Militar do Rio de Janeiro, onde o senador participou da entrega de armamentos e equipamentos de proteção viabilizados por suas emendas parlamentares em parceria com o Ministério da Justiça. No evento, o senador estava acompanhado pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, cotado pelo PL para a disputa ao governo estadual.
Reação aos ataques políticos
O escândalo também provocou ruídos na direita e na corrida informal pela sucessão presidencial. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que divide com Flávio o campo da direita e a pretensão de concorrer ao Planalto, subiu o tom e classificou a postura do senador como “imperdoável” e um “tapa na cara dos brasileiros”, comparando o episódio às práticas históricas atribuídas ao PT.
Em resposta imediata, Flávio Bolsonaro criticou o governador mineiro, afirmando que Zema se precipitou na tentativa de ser o primeiro a se manifestar sobre o assunto. Ironizando o estilo político do rival, o senador declarou que o governador foi induzido ao erro e agiu sem a tradicional cautela e o pragmatismo que costumam caracterizar a política de Minas Gerais.