Vírus Andes: OMS explica a perigosa cepa capaz de infectar humanos que preocupa autoridades internacionais
O Diretor-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, detalhou em coletiva de imprensa o cenário epidemiológico envolvendo o navio MV Hondius. O surto está diretamente ligado ao vírus Andes, uma variante comum na América Latina e a única com capacidade documentada de transmissão entre seres humanos. Segundo Ghebreyesus, o contágio parece seguir o padrão de surtos anteriores, ocorrendo principalmente através de contato próximo e prolongado, como o observado entre familiares e profissionais de saúde.
Balanço de casos e estado de saúde dos pacientes
Até o momento, a agência identificou oito ocorrências associadas à embarcação. Dentre esses casos, cinco já foram confirmados laboratorialmente e três permanecem sob investigação. Os pacientes foram evacuados para centros médicos na África do Sul, Holanda, Suíça e Alemanha. Atualmente, três pessoas continuam internadas, sendo que uma delas se encontra em estado grave na unidade de terapia intensiva, enquanto as outras duas apresentam quadro estável.
O problema teve início durante o trajeto do MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, rumo a Cabo Verde. O primeiro registro ocorreu em 6 de abril, resultando no óbito de um passageiro cinco dias depois. A esposa da vítima também desenvolveu sintomas e faleceu após desembarcar na ilha de Santa Helena, durante um voo para Joanesburgo. Uma terceira morte foi registrada em 2 de maio, ainda a bordo. Diante do período de incubação de até seis semanas, a OMS admite a possibilidade de novos diagnósticos nos próximos dias.
Logística de evacuação e avaliação de risco
Apesar da gravidade dos episódios individuais, a OMS classifica o risco para a saúde pública global como baixo. O navio, que possui bandeira holandesa, recebeu autorização para atracar em Tenerife, na Espanha, após uma coordenação internacional. Enquanto os passageiros infectados já foram encaminhados para os Países Baixos, os demais ocupantes deverão desembarcar nas Ilhas Canárias para serem repatriados aos seus países de origem, seguindo protocolos de segurança que garantem o isolamento da população local.