Câmara aprova pedido de esclarecimentos sobre atuação de agente da PF com Ramagem nos EUA
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira, um requerimento de convocação para que o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, preste esclarecimentos oficiais. O foco da audiência será a conduta da Polícia Federal (PF) no episódio que envolveu a detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem em solo americano e o subsequente desgaste diplomático que culminou na saída de um delegado brasileiro de Miami.
O incidente e a cooperação internacional
O caso se originou de uma ação coordenada entre a PF e o Immigration and Customs Enforcement (ICE), braço do governo dos Estados Unidos responsável pela imigração e alfândega. Durante o curso dessa operação conjunta, Ramagem foi detido na Flórida. Embora o governo brasileiro sustente que a prisão ocorreu dentro dos protocolos de cooperação formal entre as forças de segurança de ambos os países, o desenrolar do evento gerou ruídos institucionais significativos.
O papel do delegado e o impasse diplomático
No centro do imbróglio está o delegado Marcelo Ivo de Carvalho, que exercia a função de oficial de ligação da Polícia Federal em Miami. Carvalho foi o interlocutor direto com as autoridades norte-americanas durante o episódio. Contudo, após a soltura de Ramagem — ocorrida dois dias após a prisão —, o governo dos EUA passou a questionar o rigor e os limites da atuação dos agentes brasileiros. A crise resultou na determinação americana para que o delegado deixasse o posto em Miami, sob a alegação de possível interferência indevida em procedimentos migratórios que competem exclusivamente à soberania dos Estados Unidos.
Apesar do peso político do caso Ramagem, a sessão da comissão seguiu em ritmo acelerado, resultando na aprovação de outras 22 proposições. Entre as medidas votadas, destacam-se moções de repúdio direcionadas ao ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do TST, e à cantora Daniela Mercury, ambos criticados pelo colegiado por declarações contrárias às forças policiais. Em contrapartida, os parlamentares aprovaram uma moção de apoio à atriz Cássia Kiss, fundamentada em pautas de defesa contra perseguição ideológica e temas de intimidade biológica.