Lula ameaça retaliação aos EUA após expulsão de delegado da PF: “Faremos a reciprocidade”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou desconhecimento sobre os detalhes específicos do incidente envolvendo um delegado brasileiro nos Estados Unidos, mas adotou uma postura incisiva diante da situação. Em declaração à imprensa na porta de seu hotel em Hannover, Lula afirmou que, caso seja comprovado um abuso por parte das autoridades americanas contra o policial brasileiro, o Brasil aplicará o princípio da reciprocidade contra agentes americanos em solo nacional. O presidente enfatizou que o governo não tolerará ingerências ou abusos de autoridade que atentem contra a soberania brasileira.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou a notícia como carente de fundamento inicial e informou que o governo brasileiro aguarda esclarecimentos oficiais dos Estados Unidos. Vieira destacou que o delegado em questão atua de forma integrada com as autoridades de Miami e que sua função era de conhecimento público. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, reforçou esse argumento ao pontuar que o agente desempenha suas atividades em território americano há mais de dois anos, dentro da legalidade institucional.
Acusações de perseguição política e expulsão
Por outro lado, o governo dos Estados Unidos utilizou canais oficiais para acusar uma autoridade brasileira de tentar burlar processos formais de extradição para fins de perseguição política. Sem citar nomes inicialmente, o comunicado americano afirmou que não permitiria a manipulação do sistema de imigração para estender disputas políticas ao território dos EUA, culminando no pedido para que o funcionário deixasse o país. Posteriormente, a Embaixada norte-americana confirmou que o alvo da medida é o delegado Marcelo Ivo de Carvalho.
Trajetória e atuação do delegado em Miami
Marcelo Ivo de Carvalho foi designado em março de 2023 para uma missão junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) em Miami, com o objetivo principal de identificar e capturar foragidos da justiça brasileira. Embora sua permanência tivesse sido prorrogada recentemente até agosto deste ano, o cenário atual coloca em xeque a continuidade da missão. Até o momento, a Polícia Federal informou não ter recebido uma notificação formal sobre a expulsão, enquanto o Itamaraty optou por não se manifestar sobre os desdobramentos diplomáticos imediatos.