Disputa pela vice de Flávio Bolsonaro em 2026: Aliados racham entre Tereza Cristina e Zema
O senador Flávio Bolsonaro (PL) encontra-se no centro de um debate estratégico crucial para a composição da chapa presidencial de 2026. A definição do vice-presidente tornou-se um ponto de discórdia entre diferentes alas da direita, expondo visões conflitantes sobre qual perfil oferece maior segurança política. Enquanto o Centrão pressiona pela indicação da senadora Tereza Cristina (PP), o círculo mais íntimo do parlamentar inclina-se para o nome de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, conforme informações de Andréia Sadi, no G1.
Essa disputa interna reflete uma preocupação central de Flávio: a busca por um vice que proporcione “paz” ao titular. O trauma de gestões anteriores, marcadas por ruídos e crises institucionais entre o comando do Executivo e seu número dois, molda as negociações atuais. A intenção é evitar que o vice-presidente se torne um foco de instabilidade ou uma ameaça política direta ao projeto da família Bolsonaro.
O dilema entre a máquina e a fidelidade
A resistência ao nome de Tereza Cristina, defendido abertamente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, reside justamente na força política que ela carrega. Para o “núcleo duro” bolsonarista, a senadora está excessivamente vinculada ao Centrão, o que poderia conferir a ela uma autonomia perigosa. Episódios recentes, como a participação de Tereza em missões diplomáticas nos Estados Unidos, geraram irritação na ala mais radical, especialmente em Eduardo Bolsonaro, que atua como um forte contraponto à indicação da ex-ministra.
Em contrapartida, o grupo mais ideológico defende uma solução que remeta à estratégia de “seguro-impeachment”, semelhante à escolha de Braga Netto em 2022. O objetivo é encontrar um aliado que não possua uma estrutura de poder própria no Congresso, minimizando o risco de conspirações. A experiência com o general Hamilton Mourão em 2018, permeada por teorias de desconfiança, ainda serve como um lembrete vívido para os articuladores do PL sobre os riscos de uma chapa com dois polos de influência distintos.
Romeu Zema e o trunfo de Minas Gerais
Neste cenário, Romeu Zema emerge como uma “solução simples” para os aliados de Flávio Bolsonaro. Por não estar atrelado a grandes blocos partidários, o ex-governador é visto como um perfil mais manejável e fiel ao projeto original. Além da afinidade ideológica, Zema traz consigo o peso de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, o que poderia ser decisivo em uma disputa acirrada, apesar de sua capacidade de transferência de votos ainda ser um ponto de análise entre os estrategistas.
A decisão final deverá equilibrar a lógica pragmática — que exige o tempo de TV e os recursos que o Centrão oferece via Tereza Cristina — com a necessidade de coesão interna. Enquanto o mercado financeiro e setores do empresariado preferem a previsibilidade da senadora, o núcleo leal a Flávio Bolsonaro prioriza a manutenção de uma chapa homogênea, onde a lealdade direta ao “filho 01” prevaleça sobre as conveniências das coalizões partidárias.