Bolsonaro escala aliados e família para dominar o Senado em 2027 e destravar impeachments no STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro estabeleceu como prioridade máxima para o ciclo eleitoral de 2026 a conquista de uma maioria sólida no Senado Federal. O objetivo central dessa articulação, que ocorre enquanto Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, é consolidar força política suficiente para avançar com processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 2027. Essa movimentação estratégica busca reequilibrar a balança de poder e foca especialmente no ministro Alexandre de Moraes, relator dos inquéritos que envolvem o ex-mandatário.
Para viabilizar esse plano, o Partido Liberal (PL) delegou a Bolsonaro a missão de selecionar os candidatos da legenda à Câmara Alta. A lista de favoritos inclui nomes de confiança e membros do próprio núcleo familiar, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro. O levantamento atual indica que o partido já possui dezenas de nomes lançados ou cogitados que, em sua grande maioria, defendem abertamente o afastamento de magistrados da Suprema Corte como parte de suas plataformas de campanha.
A matemática eleitoral para a maioria na casa alta
Os cálculos da direita bolsonarista são otimistas e visam ultrapassar a marca de 41 senadores na próxima legislatura. Com a renovação de dois terços das cadeiras do Senado em outubro, o PL pretende lançar candidaturas próprias em quase todas as unidades da federação. A lógica é que, ao dominar a mesa diretora e as comissões da Casa, a direita possa destravar pautas que historicamente foram barradas pela cúpula do Legislativo, transformando o Senado no principal órgão de controle e fiscalização do Judiciário.
Enquanto pré-candidatos como o deputado Sanderson e a deputada Bia Kicis reforçam o discurso de “limpeza” na Suprema Corte e combate à suposta perseguição política, outros aliados tentam dar um verniz mais institucional à pauta. O argumento recorrente entre os postulantes é de que o STF estaria “fora de controle” e que o impeachment de ministros, em casos de crime de responsabilidade, é um instrumento democrático legítimo para corrigir os rumos do país e garantir o devido processo legal.
Em contraste com a retórica beligerante do pai e dos candidatos ao Legislativo, o senador Flávio Bolsonaro adota uma postura visivelmente mais moderada. Na condição de articulador e possível nome para a disputa ao Planalto, Flávio tem evitado confrontos diretos com o STF, focando suas críticas na gestão do governo Lula e em propostas de governo. O entorno do senador avalia que o enfrentamento radical com os outros Poderes foi um fator determinante para a derrota eleitoral em 2022 e que a repetição desse erro poderia ser fatal para suas pretensões futuras.
Essa divisão de tarefas parece ser calculada: enquanto a militância e os futuros senadores alimentam a base com o discurso anti-STF, Flávio busca uma imagem de equilíbrio. Além da estratégia política, há uma cautela pragmática, uma vez que atritos diretos com o ministro Alexandre de Moraes poderiam impactar negativamente a situação jurídica de seu pai. Assim, o senador mantém críticas protocolares e defende o impeachment apenas quando questionado, deixando que seus aliados assumam a linha de frente do embate institucional.