Ataque histórico: Rússia lança 1.000 drones contra a Ucrânia e intensifica ofensiva de primavera

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A Ucrânia enfrenta uma das ofensivas aéreas mais devastadoras desde o início da invasão em larga escala. Em uma operação coordenada que sinaliza a intensificação da ofensiva de primavera, a Rússia lançou quase 1.000 drones e dezenas de mísseis contra o território ucraniano nas últimas 24 horas. O ataque, que se dividiu entre bombardeios noturnos e uma rara onda diurna na terça-feira, atingiu 11 regiões, resultando em pelo menos sete mortes e danos severos à infraestrutura e ao patrimônio histórico, incluindo o Mosteiro Bernardino em Lviv, local protegido pela Unesco.

Crise de defesa e apelos diplomáticos

Diante do cenário crítico, o presidente Volodymyr Zelenskyy renovou os pedidos urgentes por munições de defesa aérea. A principal preocupação de Kiev reside na escassez de interceptores para sistemas Patriot, essenciais contra mísseis balísticos. Segundo o líder ucraniano, a atenção de Washington está dividida devido ao agravamento do conflito no Oriente Médio, o que tem encorajado Moscou a ampliar sua agressividade. A pressão sobre a infraestrutura se estendeu à vizinha Moldávia, que registrou danos em linhas de transmissão de energia conectadas à Europa, forçando o governo local a pedir racionamento de eletricidade.

No campo de batalha, a Rússia mantém uma estratégia de desgaste, aproveitando a superioridade numérica de tropas na proporção de três para um. Relatórios de inteligência indicam um avanço lento, mas persistente, na região de Donetsk, com forças russas se aproximando da estratégica cidade de Sloviansk. Em resposta, analistas militares observam que, embora o Kremlin desloque equipamentos pesados para a frente de combate, as defesas ucranianas têm se mostrado eficazes em neutralizar ataques mecanizados, focando agora no combate à guerra de drones.

Apesar da pressão russa, a Ucrânia registrou avanços significativos no sul de Zaporíjia, retomando cerca de 390 quilômetros quadrados de território. Pela primeira vez desde 2023, o mês de fevereiro terminou com um saldo positivo de território recuperado por Kiev. Este desempenho foi impulsionado por uma mudança tecnológica crucial: o bloqueio do acesso das tropas russas ao sistema de internet Starlink, o que desarticulou linhas de comunicação fundamentais do invasor no front.

Impasse nas negociações e o cenário geopolítico

Enquanto os combates se intensificam, a via diplomática permanece travada. Negociações recentes realizadas na Flórida entre delegações americanas e ucranianas não produziram avanços, esbarrando na exigência russa pela entrega total da região de Donbas. Relatos de bastidores indicam que Washington teria pressionado Kiev por uma retirada estratégica de Donetsk para priorizar o foco militar no Irã, proposta que Zelenskyy rejeita sem garantias de segurança inabaláveis do Ocidente. No momento, o Kremlin aproveita a estabilidade econômica gerada pela alta dos preços de energia para manter uma “pausa situacional” no diálogo, monitorando o tabuleiro geopolítico global.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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