Com fuzileiros a caminho, EUA consideram tomar a Ilha de Kharg por terra em meio a ameaça severa do Irã

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O governo dos Estados Unidos comunicou a aliados internacionais, incluindo Israel, que uma operação militar terrestre para ocupar a ilha iraniana de Kharg parece ser a única alternativa viável no momento. Segundo fontes consultadas pelo The Jerusalem Post, a medida está sendo discutida pela administração americana como uma estratégia para forçar o Irã a liberar o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.

Situada no Golfo Pérsico, a ilha de Kharg é o coração da economia iraniana, concentrando o escoamento de 90% das exportações de petróleo bruto do país, cujo principal destino é a China. A ocupação da ilha serviria como uma alavanca de pressão direta contra Teerã, que mantém um bloqueio naval em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.

Reforço militar e mobilização de tropas

Em resposta à escalada de tensão, o Pentágono acelerou o envio de milhares de militares para o Oriente Médio. O destacamento é liderado pelo Grupo de Prontidão Anfíbia do USS Boxer, que inclui o navio de assalto anfíbio homônimo — operando como um porta-aviões leve — além das embarcações de transporte USS Portland e USS Comstock. Ao todo, cerca de 4.500 fuzileiros navais e pessoal de apoio especializado estão sendo posicionados na região.

Teerã emite um aviso severo:

O contra-almirante Alireza Tangsiri, comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, subiu o tom das ameaças contra os Estados Unidos e Israel neste sábado. Em uma declaração contundente, o militar afirmou que o país já preparou sepulturas em todas as ilhas iranianas para receber o que chamou de “invasores assassinos de crianças”, sinalizando que qualquer incursão em território nacional terá uma resposta letal.

A advertência ocorre em paralelo à confirmação de operações ofensivas contra infraestruturas estratégicas no Oriente Médio. De acordo com Tangsiri, as forças iranianas realizaram ataques coordenados contra as bases aéreas de Al Minhad, nos Emirados Árabes Unidos, e Ali Al Salem, no Kuwait. O comandante justificou a ofensiva alegando que ambas as instalações serviam como pontos logísticos e de decolagem para operações hostis direcionadas às ilhas do Irã.

A investida, descrita como um ataque de larga escala, mobilizou um arsenal diversificado de drones de combate e mísseis balísticos. O foco da destruição foram hangares e depósitos de combustível, estruturas que, segundo Teerã, eram utilizadas por aeronaves militares americanas e israelenses. A ação reforça a escalada de tensão na região e o posicionamento de prontidão da Guarda Revolucionária frente à presença estrangeira no Golfo.

Ultimato de Trump e antecedentes

A movimentação ocorre pouco tempo após ataques americanos contra alvos militares na ilha. Na ocasião, o presidente Donald Trump afirmou ter destruído a infraestrutura de defesa local, mas optou por poupar as instalações petrolíferas sob a condição de que o Estreito de Ormuz fosse liberado.

No último sábado, Trump endureceu o tom e ameaçou atingir usinas de energia iranianas caso o bloqueio persista. Diante da postura resiliente do Irã, analistas e oficiais acreditam que a liberdade de navegação no estreito só será restabelecida por meio de uma intervenção militar direta.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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