Carlos Viana associa mensagens de Vorcaro a número funcional do STF e pede afastamento de Alexandre de Moraes
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), que preside a CPMI responsável por investigar desvios no INSS, trouxe novas declarações sobre o caso envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, as mensagens enviadas pelo empresário ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram direcionadas a um aparelho telefônico funcional da própria Corte. O contato teria ocorrido em 17 de novembro, data da primeira prisão de Vorcaro, conforme revelado inicialmente pela colunista Malu Gaspar do O Globo.
Durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Viana enfatizou que a identificação do terminal telefônico é um passo fundamental para o aprofundamento das investigações. O senador defendeu que o Supremo deve esclarecer oficialmente quem estava de posse do aparelho no momento do envio das mensagens, embora tenha admitido que ainda não formalizou o pedido de informações à Corte. Ele sustenta que a confirmação da titularidade do número foi obtida por meio de checagem oficial prévia.
Defesa de afastamento e críticas à conduta
A postura do ministro Alexandre de Moraes foi duramente criticada pelo presidente da CPMI, que defendeu o afastamento temporário do magistrado. Na visão de Viana, a saída do cargo seria a medida padrão em “qualquer país sério” para assegurar a isenção necessária até a conclusão das apurações. O senador argumentou que o afastamento não implica em julgamento antecipado de culpa, mas sim em um procedimento de transparência para que a sociedade obtenha esclarecimentos sobre a conduta dos membros do Judiciário.
Além de Moraes, o senador mencionou o ministro Dias Toffoli, afirmando que ambos deveriam ser alvo de investigação por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR). Viana acusou Moraes de exercer o poder ministerial de forma inconstitucional e cobrou uma postura mais incisiva do Procurador-Geral, Paulo Gonet. Para o parlamentar, o rigor aplicado ao Congresso — onde o afastamento é esperado diante de provas robustas de envolvimento em crimes — deve ser estendido de forma equivalente aos ministros do Supremo Tribunal Federal.