Satélite de 600 quilos da NASA colidirá com a atmosfera da Terra nas próximas horas

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Após uma jornada de quase 14 anos desbravando os mistérios do espaço, a sonda Van Allen A, da NASA, tem seu retorno à Terra previsto para esta terça-feira, 10 de março de 2026.

A espaçonave, que foi fundamental para a compreensão dos cinturões de radiação que cercam o nosso planeta, deve reentrar na atmosfera por volta das 19h45 (horário de Brasília), segundo dados da Força Espacial dos EUA. Embora o horário oficial tenha sido estipulado, os técnicos trabalham com uma margem de incerteza de 24 horas para o evento final.

O Processo de Reentrada e Segurança

Com um peso aproximado de 600 kg, a expectativa é que a estrutura da sonda seja quase totalmente incinerada pelo calor extremo gerado pelo atrito com a atmosfera. No entanto, especialistas não descartam a possibilidade de que pequenos fragmentos resistam ao processo e atinjam a superfície.

A NASA e a Força Espacial tranquilizam o público ao afirmar que o risco de qualquer dano humano é extremamente baixo, calculado em cerca de 1 em 4.200, mas garantem que o monitoramento continuará em tempo real até o impacto final.

Uma Missão além das expectativas

Lançada em 2012 ao lado de sua sonda gêmea, a Van Allen B, a missão original tinha uma duração prevista de apenas dois anos. O objetivo era investigar os cinturões de radiação permanentes que funcionam como um escudo protetor da Terra contra tempestades solares e raios cósmicos.

Contrariando as projeções iniciais, as sondas operaram com sucesso por quase sete anos, fornecendo dados inéditos até 2019, quando o esgotamento do combustível impediu que os equipamentos mantivessem a orientação correta em direção ao Sol.

Uma imagem de arquivo mostra um satélite orbitando a Terra. 
Getty Images

Diferente da maioria dos satélites, que tentam atravessar as zonas de radiação o mais rápido possível para evitar danos aos sistemas eletrônicos, as sondas Van Allen foram projetadas especificamente para “viver” dentro desse ambiente severo.

Gerenciada pelo Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins, a missão revelou descobertas surpreendentes, como a existência de um terceiro cinturão de radiação transitório que surge apenas em períodos de atividade solar intensa, mudando o que a ciência sabia sobre a proteção magnética da Terra.

A influência do Ciclo Solar

O retorno antecipado da sonda A — que inicialmente era previsto para 2034 — é um reflexo direto do comportamento do Sol. Com a confirmação de que o Sol atingiu seu máximo solar em 2024, a atmosfera da Terra expandiu-se devido ao aumento da atividade energética.

Esse fenômeno gerou um arrasto atmosférico muito maior do que o calculado em 2019, “puxando” a espaçonave de volta para casa quase oito anos antes do planejado.

As informações acumuladas ao longo de mais de uma década são vitais para a vida moderna. Ao entender melhor o clima espacial, cientistas conseguem aprimorar as previsões de tempestades solares que podem paralisar redes elétricas, interromper sinais de GPS e danificar satélites de comunicação.

Enquanto a sonda A encerra sua trajetória hoje, sua irmã gêmea, a sonda B, permanece em órbita silenciosa, com reentrada prevista apenas para o ano de 2030.

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