Afeganistão lança contra-ataque massivo e captura dezenas de postos militares no Paquistão; vídeos
As forças armadas do Afeganistão iniciaram, nesta quinta-feira, uma ofensiva de retaliação contra diversos alvos em território paquistanês. De acordo com informações divulgadas por veículos de imprensa locais, a operação resultou na captura de ao menos 20 postos militares controlados por Islamabad.
O cinturão de confrontos estendeu-se por uma vasta região fronteiriça, abrangendo as províncias de Nangarjar, Nuristão, Kunar, Khost, Paktia e Paktika, onde intensos combates foram registrados entre as tropas dos dois países.
O estopim da ofensiva
A investida afegã surge como uma resposta direta aos ataques realizados pelo Paquistão no último sábado. Na ocasião, Islamabad justificou suas ações militares como uma reação a atentados suicidas e incursões armadas ocorridas em solo paquistanês, operações estas reivindicadas por grupos extremistas como o Talibã paquistanês e o Estado Islâmico da Província de Khorasan. Esse ciclo de ataques e contra-ataques evidencia a fragilidade da segurança regional e o impacto direto das milícias que operam na zona de fronteira.
Um histórico de atritos e diplomacia
O atual cenário é o reflexo de um conflito latente que ganhou força ao longo do último ano. O relacionamento diplomático entre os vizinhos deteriorou-se progressivamente após uma sucessão de explosões e incidentes fronteiriços, gerando uma troca constante de acusações: enquanto o Paquistão aponta falhas do Afeganistão em conter ataques transfronteiriços, o governo Talibã responsabiliza Islamabad por instabilidades na capital, Cabul.
Embora um cessar-fogo tenha sido estabelecido em outubro, após mediação estratégica do Catar e da Turquia em Doha, os eventos recentes indicam que o acordo está sob severa ameaça.