Temporal histórico em Juíz de Fora deixa destruição e 22 mortos e centenas de desabrigados; bombeiros buscam desaparecidos

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A cidade de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, enfrenta um cenário devastador após as fortes chuvas que assolam a região. Até o momento, as autoridades confirmaram 14 mortes e o desalojamento de 440 pessoas. Diante da gravidade da situação, a prefeitura decretou estado de calamidade pública na madrugada desta terça-feira (24).

Como medida de segurança, as aulas em toda a rede municipal foram suspensas, enquanto equipes de resgate concentram esforços na busca por pelo menos 45 desaparecidos.

O temporal, que teve início no fim da tarde de segunda-feira (23), atingiu marcas históricas. De acordo com a administração municipal, este já é o fevereiro mais chuvoso da história da cidade, registrando um acumulado de 584 milímetros — o dobro do volume esperado para todo o mês. A topografia acidentada do município, marcada por vales e encostas, amplia o risco de novos deslizamentos, uma preocupação constante dado que a previsão meteorológica indica a continuidade das chuvas.

Soterramentos e resgates críticos

A prefeita Margarida Salomão confirmou a existência de ao menos 20 ocorrências de soterramento em diferentes pontos da cidade. O bairro Parque Burnier é um dos locais mais críticos, onde o Corpo de Bombeiros busca por 17 desaparecidos, incluindo cinco crianças.

Até o momento, nove sobreviventes foram retirados com vida da área e encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS), unidade de referência para o atendimento às vítimas da tragédia.

As mortes confirmadas em Juiz de Fora estão distribuídas por diversos bairros, com maior concentração de óbitos nas ruas Natalino José de Paula (bairro JK) e Orville Derby Dutra (bairro Santa Rita), que registraram quatro vítimas cada. Também houve registros fatais nos bairros Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, evidenciando a amplitude do desastre no perímetro urbano.

Caos na infraestrutura e mobilidade

O transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos córregos paralisou a cidade. Importantes vias de acesso, incluindo pontes e o mergulhão que conecta os bairros ao Centro, permanecem interditados.

Além dos alagamentos, a queda de árvores dificulta o tráfego e o trabalho das equipes de emergência. O Tenente Henrique Barcellos, do Corpo de Bombeiros, relatou mais de 40 chamadas emergenciais apenas na madrugada, envolvendo bloqueios de vias e resgate de moradores ilhados.

Para reforçar a operação, militares do Batalhão de Emergências Ambientais e cães farejadores foram deslocados para a região.

Situação de emergência em Ubá

A vizinha Ubá também sofre as consequências das tempestades. O transbordamento do Ribeirão Ubá inundou a Avenida Beira Rio ainda na noite de segunda-feira, após a cidade registrar 124 milímetros de chuva em um intervalo de apenas seis horas.

Embora a prefeitura ainda realize a contabilização oficial dos danos, a Polícia Militar já reportou duas mortes no município decorrentes do temporal. Equipes da Defesa Civil, Guarda Municipal e Bombeiros seguem mobilizadas para prestar assistência à população local.

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