Rússia condena abordagem dos EUA: tensões disparam após apreensão de petroleiro no Atlântico
Moscou condenou formalmente, nesta quarta-feira, a apreensão de um navio-tanque de bandeira russa pelas forças armadas dos Estados Unidos em águas internacionais. O Ministério dos Transportes da Rússia confirmou, via Telegram, que perdeu totalmente o contato com a embarcação Marinera — anteriormente identificada como Bella-1 — logo após uma abordagem da Marinha americana no Atlântico Norte.
O governo russo classificou o ato como uma violação direta da soberania estatal, argumentando que nenhum país possui autoridade legal para empregar força contra navios devidamente registrados sob outra jurisdição.
Violação do Direito Internacional
A diplomacia russa acusa Washington de desrespeitar a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar de 1982, que garante a liberdade de navegação fora das águas territoriais. Segundo as autoridades de Moscou, o Marinera operava sob a bandeira da Federação Russa desde o final de dezembro de 2025, amparado por normas marítimas internacionais.
Em nota oficial, o ministério exigiu que o governo americano garanta tratamento digno aos cidadãos russos que compõem a tripulação e assegure o retorno imediato desses profissionais à sua pátria, enquanto o destino final da embarcação permanece incerto.
Operações contra a frota fantasma
Do lado americano, a operação foi apresentada como parte de uma ofensiva estratégica contra o tráfico ilícito de energia. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, anunciou que as Forças Armadas e a Guarda Costeira realizaram abordagens coordenadas em dois navios da chamada “frota fantasma”, supostamente vinculados ao transporte de petróleo da Venezuela.
Além do incidente no Atlântico Norte, uma segunda embarcação foi interceptada no Caribe. Noem exaltou a eficiência militar em perseguir os alvos sob condições climáticas adversas e enviou um alerta global contra o que chamou de atividades criminosas internacionais.
Escalada de tensões globais
O incidente acirra a rivalidade entre as duas potências, ocorrendo em um momento de repressão severa dos Estados Unidos às exportações de petróleo sancionado de países como Irã e Venezuela. Enquanto Washington defende as apreensões como medidas de segurança nacional e cumprimento de sanções, a Rússia levanta questionamentos profundos sobre a segurança e a liberdade de navegação em águas globais. Espera-se que o impasse seja levado às Nações Unidas nos próximos dias, à medida que os canais bilaterais de comunicação permanecem sob forte pressão.


