Venezuela: total de feridos e vítimas por terremotos segue aumentando; La Guaira é militarizada para acelerar buscas

Compartilhe

O balanço das vítimas dos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 que abalaram a Venezuela na última quarta-feira subiu drasticamente. Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, confirmou a morte de 920 pessoas. O parlamentar também informou que o número de feridos já chega a 3.360, enquanto o total de cidadãos afetados diretamente pelos tremores ultrapassa a marca de 4.000.

A infraestrutura do país também sofreu forte impacto. Segundo o último levantamento oficial, pelo menos 383 edifícios — entre casas e prédios residenciais — foram completamente destruídos ou apresentam danos estruturais gravíssimos. A grande maioria dessas construções desabadas está concentrada no estado costeiro de La Guaira, apontado pelas autoridades como o epicentro do desastre natural.

Apelo à população e logística de doações

Diante do cenário crítico, Rodríguez fez um apelo veemente para que a população evite viajar em direção a La Guaira. Embora tenha agradecido a onda de solidariedade dos venezuelanos, o líder parlamentar explicou que o excesso de veículos particulares nas estradas está congestionando as vias e atrasando o deslocamento de ambulâncias que transportam os feridos graves para hospitais de Caracas e do estado de Miranda.

Para canalizar as ajudas de forma organizada, o governo estabeleceu dois grandes centros de coleta na capital, Caracas: um localizado na tenda de La Carlota, na Zona Leste, e outro na Almacenadora Caracas, no setor de Catia, na Zona Oeste. Nesses locais, as autoridades estão recebendo doações de água, alimentos não perecíveis, colchões, cobertores, roupas e até o suporte de maquinário pesado para a remoção de escombros.

Leia+  Mundo vive dia de intensa atividade sísmica: terremoto destrutivo de 7,7 na Indonésia deixa mortos, e tremor de 6,9 em Sumatra e estragos na Espanha
Localização de desaparecidos e suporte hospitalar

Com o objetivo de centralizar as buscas, o governo venezuelano deve ativar em breve uma linha telefônica gratuita (0-800). O canal servirá tanto para que as famílias reportem o desaparecimento de parentes quanto para que moradores notifiquem riscos estruturais em imóveis.

Paralelamente, os hospitais das regiões de Caracas, La Guaira, Chacao, San Bernardino e El Paraíso integraram seus bancos de dados. De acordo com Rodríguez, essa automatização das listas de pacientes internados permite cruzamentos rápidos de dados para informar, em tempo real, se uma pessoa procurada já está recebendo atendimento médico em alguma unidade de saúde.

Forças Armadas assumem controle e ajuda internacional desembarca

Para tentar conter o caos e acelerar as buscas por sobreviventes, o estado de La Guaira foi colocado sob o controle das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas. A militarização da área visa assegurar a ordem pública e dar suporte logístico às equipes de resgate que trabalham em turnos ininterruptos nas áreas mais afetadas, como Caraballeda, Macuto, Los Corales, Catia La Mar e Playa Grande.

Os esforços locais ganharam o reforço de uma grande força-tarefa internacional. Atualmente, 861 socorristas estrangeiros especializados e membros da Equipe de Resgate das Nações Unidas estão em solo venezuelano. O contingente internacional conta com equipes enviadas pelos Estados Unidos (328), México (272), El Salvador (115), Suíça (90), Colômbia (63), Equador (53), Espanha (40), Chile (34), Panamá (13) e República Dominicana (11).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br