Trump escala crítico de Moraes para comandar política dos EUA para o Brasil
O governo de Donald Trump oficializou a nomeação de Darren Beattie como “assessor sênior para a política em relação ao Brasil”. A informação, revelada pela agência Reuters nesta sexta-feira (27), coloca um crítico ferrenho das atuais instituições brasileiras em uma posição central de comando no Departamento de Estado.
Beattie será o responsável direto por formular e supervisionar as diretrizes de Washington para Brasília, em um movimento que sinaliza uma postura mais vigilante dos Estados Unidos sobre a política sul-americana.
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A escolha ocorre em um cenário de dualidade diplomática. Embora os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump tenham ensaiado uma aproximação recente — com uma visita de Lula à Casa Branca prevista para março —, a presença de Beattie sugere que as feridas entre as duas maiores democracias do continente ainda não cicatrizaram totalmente.
Autoridades brasileiras, que afirmaram ter sido pegas de surpresa pela nomeação, mantêm cautela e observam qual será o real grau de influência de Beattie nas decisões bilaterais.
O Perfil de Darren Beattie e o conflito com o judiciário
Beattie não é um estranho às polêmicas que envolvem o cenário político brasileiro. Ele ganhou notoriedade ao atacar publicamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, classificando-o como o mentor de uma suposta rede de censura e perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O episódio chegou a gerar um incidente diplomático em julho de 2025, quando o Itamaraty convocou o principal representante dos EUA em Brasília para prestar esclarecimentos após as postagens de Beattie em redes sociais.
A visão de Beattie ecoa a narrativa de setores da direita conservadora. Ele defende a “promoção ativa da liberdade de expressão” como uma ferramenta de diplomacia, o que, na prática, tem se traduzido em críticas contundentes à atuação do Judiciário brasileiro nos processos que levaram à condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe em 2022.
No ano passado, essa tensão atingiu o ápice quando os EUA chegaram a sancionar Moraes, acusando-o de autoritarismo, embora tais sanções tenham sido suspensas após um breve degelo nas relações entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da ONU.
Atualmente, além do foco no Brasil, ele acumula funções como chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais e presidente do Instituto de Paz dos EUA.
Impacto no futuro das relações bilaterais
A ascensão de Beattie ao cargo de assessor sênior indica que Washington pretende manter a pressão sobre o governo brasileiro em temas sensíveis, como a liberdade de expressão e o tratamento dado à oposição política no país.
O agradecimento público de Eduardo Bolsonaro a Beattie reforça a percepção de que a família do ex-presidente mantém canais abertos e influentes com a ala mais radical da Casa Branca, especialmente visando as eleições presidenciais de outubro no Brasil.
Embora o comércio bilateral tenha dado sinais de recuperação com a redução recente de tarifas sobre produtos brasileiros, a nomeação de um perfil tão ideológico quanto o de Beattie sugere que a “sintonia” celebrada entre Lula e Trump em Nova York pode ser testada em breve. Até o momento, nem o governo Trump nem o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiram comunicados oficiais sobre a nova configuração do Departamento de Estado para a região.