Trump diz que governo dos EUA seguirá administrando a Venezuela e seu petróleo por anos
Em uma entrevista abrangente concedida ao “The New York Times” nesta quinta-feira (8), o presidente Donald Trump detalhou a visão de longo prazo de seu governo para a Venezuela.
Segundo o mandatário, os Estados Unidos devem manter a gestão direta sobre o país sul-americano e suas reservas petrolíferas “por muitos anos”.
Trump descreveu o processo de reconstrução do país como uma oportunidade “muito lucrativa”, fundamentada na importação de óleo venezuelano para reduzir os preços domésticos de energia, enquanto Washington provê auxílio financeiro ao governo local.
Sobre a manutenção da influência política em Caracas, o presidente evitou precisar prazos, limitando-se a dizer que “só o tempo dirá”. Atualmente, a interlocução direta ocorre com o governo interino liderado por Delcy Rodríguez.
Trump afirmou que a atual administração venezuelana tem fornecido “tudo o que é considerado necessário”, embora tenha optado pelo silêncio ao ser questionado sobre os motivos de apoiar Rodríguez em vez de incentivar uma ascensão da oposição ao poder.
Crise migratória e controvérsia em minneapolis
O diálogo no Salão Oval foi interrompido por um episódio de tensão quando o presidente tomou conhecimento, por meio do notebook de uma assessora, da morte de Renee Nicole Good.
A mulher de 37 anos foi morta por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em Minneapolis. Embora tenha declarado que não deseja ver “ninguém ser baleado”, Trump justificou a ação policial alegando que a vítima tentou atropelar o agente.
A versão presidencial, no entanto, foi imediatamente contestada pelos repórteres presentes, que observaram que as imagens do incidente não sustentam tal acusação. O caso ampliou o debate nacional sobre a violência das forças de imigração no segundo mandato de Trump, especialmente após a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, ecoar a retórica oficial.
Em meio ao clima de polarização interna, Trump buscou projetar estabilidade diplomática na região ao realizar uma chamada com o presidente colombiano Gustavo Petro, classificando o diálogo como produtivo e formalizando um convite para que o líder vizinho visite a Casa Branca.
O desmonte do multilateralismo e a retirada da ONU
Paralelamente à política regional, a Casa Branca oficializou um rompimento drástico com o sistema internacional ao retirar os Estados Unidos de 35 organizações externas e 31 entidades ligadas às Nações Unidas.
A medida atinge órgãos cruciais como a ONU Mulheres, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima (UNFCCC). A justificativa oficial é que tais organismos operam contra os interesses nacionais e promovem agendas classificadas pelo governo como “woke”.
Essa postura seletiva — que já havia suspendido repasses para a OMS e a UNESCO — sinaliza uma mudança estrutural na diplomacia americana. Analistas internacionais apontam para uma política de “ou do meu jeito, ou nada feito”, onde a cooperação só ocorre sob os termos estritos de Washington.
O impacto prático dessa doutrina já é sentido globalmente: a ONU enfrenta cortes severos de pessoal e programas, enquanto inúmeras ONGs encerram projetos após o fim da USAID, a agência de ajuda externa extinta pela administração Trump.


