Trump acusa Papa de colocar católicos em perigo e gera crise diplomática às vésperas de cúpula no Vaticano
O presidente Donald Trump elevou o tom das críticas contra o Vaticano ao acusar o Papa Leão XIV de comprometer a segurança de milhões de fiéis. Em declarações recentes, o republicano afirmou que o pontífice “coloca em perigo muitos católicos” por supostamente tolerar as ambições nucleares do Irã. A ofensiva verbal ocorre em um momento de extrema sensibilidade, apenas 48 horas antes de uma missão diplomática de alto escalão liderada pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, que viaja à Santa Sé para tentar conter o desgaste entre Washington e a Igreja Católica.
Durante entrevista ao apresentador conservador Hugh Hewitt, na Salem News, Trump sugeriu que Leão XIV considera aceitável que Teerã possua armamento atômico, classificando a postura imaginada do Papa como “não muito boa”. Embora o pontífice nunca tenha declarado apoio ao programa nuclear iraniano — focando seus apelos em cessar-fogo, diálogo e críticas à escalada militar liderada pelos EUA e Israel no Oriente Médio —, o presidente americano insistiu na tese de que o líder religioso ignora os riscos globais da política iraniana.
Missão de Marco Rubio busca conter danos no Vaticano
O Secretário de Estado, Marco Rubio, desembarca no Palácio Apostólico nesta quinta-feira com a difícil tarefa de restabelecer pontes. Rubio, que é católico, terá um encontro com Leão XIV sob o pretexto de celebrar o primeiro aniversário do papado, mas o foco real será o controle de danos. O embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, tentou minimizar o clima de hostilidade, descrevendo a reunião como uma oportunidade para “fraternidade e diálogo autêntico”. Burch negou a existência de uma “ruptura profunda”, tratando as tensões como meras divergências entre nações soberanas.
O histórico recente, porém, é turbulento. Em abril, Trump já havia atacado o Papa nascido em Chicago, chamando-o de “fraco” e questionando seu desempenho no cargo. O episódio foi agravado por comportamentos polêmicos do presidente nas redes sociais, incluindo a postagem de uma imagem gerada por inteligência artificial que o retratava de forma messiânica, além de rusgas públicas com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni. Meloni, outrora aliada próxima, foi alvo de ameaças de retirada de tropas americanas da Itália após criticar a postura de Trump em relação ao Vaticano.
Divisões internas e resistência na cúpula americana
A postura combativa da Casa Branca em relação ao Vaticano encontra respaldo também no vice-presidente JD Vance. O político, convertido ao catolicismo, reforçou as críticas ao sugerir que o pontífice deveria se restringir a “questões de moralidade” e ter cautela ao opinar sobre teologia e conflitos militares. Essa retórica contrasta com o início do papado de Leão XIV, quando Rubio e Vance compareceram à posse e entregaram um convite pessoal para que o Papa visitasse a Casa Branca — convite este que permanece sem resposta.
Além do Papa, a agenda de Rubio na Europa inclui reuniões estratégicas com o Secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, e com as autoridades italianas, incluindo Antonio Tajani. O esforço diplomático tenta equilibrar o apoio inabalável do governo Trump à ofensiva contra o Irã com a necessidade de manter relações funcionais com seus aliados europeus e a liderança espiritual de mais de um bilhão de católicos, que veem com preocupação a retórica agressiva vinda de Washington.