Trégua sob fogo: Trump anuncia cessar-fogo com Irã, mas mísseis continuam a atingir Israel
Na noite desta terça-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de uma ofensiva aérea de grande escala contra o Irã, confirmando a implementação de uma trégua de 14 dias. O acordo visa encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro por Washington e Israel. Segundo o mandatário, a decisão foi motivada por uma proposta de dez pontos enviada por Teerã, considerada uma base “viável” para negociações permanentes. O pacto, contudo, é condicionado à reabertura imediata e segura do Estreito de Ormuz, via vital para o comércio petrolífero mundial.
Mediação Internacional e reações divergentes
O primeiro-ministro do Paquistão, principal mediador do diálogo, afirmou que a trégua é imediata e abrange não apenas os protagonistas diretos, mas também seus aliados em frentes como o Líbano. Entretanto, a narrativa da vitória é disputada: enquanto a TV estatal iraniana classificou o movimento de Trump como uma “retirada humilhante” e manifestantes em Teerã mantiveram o tom hostil contra o Ocidente, a Casa Branca defendeu que o cessar-fogo é fruto do sucesso da “Operação Epic Fury”. De acordo com a secretária de imprensa, Karoline Leavitt, os objetivos militares foram superados em 38 dias, criando a “máxima influência” para a diplomacia.
O posicionamento estratégico de Israel
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu expressou apoio ao cessar-fogo, mas estabeleceu ressalvas importantes. Em comunicado, o gabinete israelense enfatizou que a trégua não inclui as operações no Líbano e permanece estritamente dependente da normalização do tráfego no Estreito de Ormuz. Israel afirma ter recebido garantias de Washington de que as futuras negociações — previstas para começar nesta sexta-feira em Islamabad — buscarão a neutralização total da ameaça nuclear e de mísseis balísticos do regime iraniano.
Termos em disputa e o futuro do Estreito
O Irã sinalizou que a passagem pelo Estreito de Ormuz agora exigirá coordenação direta com suas forças armadas, citando “limitações técnicas” inexistentes antes do conflito. O plano iraniano de dez pontos inclui exigências audaciosas, como a retirada das tropas americanas do Oriente Médio, o fim de todas as sanções e a aceitação do enriquecimento de urânio. Fontes regionais sugerem ainda que o acordo pode permitir que Irã e Omã cobrem taxas de trânsito de embarcações, o que representaria uma mudança drástica no direito internacional de navegação.
Apesar do anúncio diplomático, a tensão permanece alta no campo de batalha. Nas horas que se seguiram à declaração, o Irã disparou mísseis balísticos contra Jerusalém e outras regiões de Israel, resultando em feridos leves no sul do país. Além disso, ataques foram relatados contra infraestruturas nos Emirados Árabes Unidos e outros estados do Golfo. Oficiais de defesa dos EUA acreditam que este hiato na violência é esperado até que a ordem de cessar-fogo seja totalmente transmitida às cadeias de comando da Guarda Revolucionária, evidenciando a fragilidade da paz alcançada.