Tóquio corre contra o tempo: Japão aperta o cerco diante da ameaça de um megaterremoto catastrófico

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O governo do Japão planeja intensificar suas estratégias de defesa civil nos próximos 10 anos para mitigar os impactos de um eventual terremoto de grande magnitude na região metropolitana de Tóquio. Segundo fontes próximas ao assunto ouvidas pela agência de notícias Kyodo, o foco principal das novas diretrizes será conter a eclosão de incêndios, historicamente uma das maiores causas de fatalidades após grandes abalos sísmicos no país.

Esta será a primeira atualização nos planos de emergência japoneses desde 2015. A nova meta do Gabinete, que deve aprovar a proposta ainda em junho, é ambiciosa: o governo quer “reduzir em mais da metade” o número projetado de mortos, que hoje pode chegar a 18 mil em um cenário extremo. As ações cobrem não apenas a capital, mas também as prefeituras vizinhas de Saitama, Chiba e Kanagawa.

Tecnologia contra curto-circuito na maioria dos edifícios

Para alcançar o novo objetivo, a revisão do plano prevê o reforço estrutural de prédios e a massificação de disjuntores sensíveis a terremotos. Esses dispositivos cortam a energia elétrica de forma automática ao detectarem tremores, impedindo que fios rompidos causem curtos-circuitos e iniciem incêndios generalizados.

Atualmente, apenas cerca de 20% das estruturas em Tóquio e nas nove prefeituras vizinhas contam com essa tecnologia. A meta do governo é expandir a instalação para a maioria esmagadora dos imóveis na próxima década. Com isso, a expectativa é reduzir em mais de 50% o total de edifícios destruídos pelo desastre, cuja projeção atual gira em torno de 400 mil estruturas.

Lições de 2011 e foco no bem-estar dos sobreviventes

A nova estratégia também absorve os aprendizados do devastador terremoto e tsunami que atingiram o nordeste do Japão em 2011. Na época, muitas mortes ocorreram após o desastre devido à deterioração da saúde de idosos e feridos nos centros de evacuação. Para evitar que isso se repita, as autoridades locais serão obrigadas a estocar banheiros portáteis e leitos adequados, seguindo padrões humanitários internacionais.

Paralelamente, o plano reforça a importância da conscientização pública para a segurança doméstica, incentivando os cidadãos a fixarem móveis pesados nas paredes e a manterem mantimentos e água para pelo menos três dias. No âmbito digital, o governo também atuará ativamente para combater a disseminação de notícias falsas em redes sociais durante crises, além de orientar a criação de diretrizes para que hotéis e pousadas da região funcionem como abrigos temporários de emergência.

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