Toffoli usou jato de empresa ligada a dono do Banco Master para ir a resort, diz jornal
O ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal, utilizou um jato executivo operado pela Prime Aviation para um deslocamento realizado em julho de 2025. A empresa responsável pela aeronave tinha entre seus quadros societários o empresário Daniel Vorcaro, que controla o Banco Master. De acordo com informações reveladas pelo jornal “Folha de S.Paulo”, registros oficiais da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmam a entrada do magistrado no terminal executivo do Aeroporto de Brasília na manhã do dia 4 de julho.
Dados cruzados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) indicam que, apenas dez minutos após a entrada de Toffoli no terminal, uma aeronave da Prime Aviation partiu com destino a Marília, no interior de São Paulo, que é a cidade de origem do ministro. No mesmo período, foi registrado o deslocamento de seguranças do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para Ribeirão Claro, no Paraná. O destino dos agentes seria o resort Tayayá, local frequentemente visitado pelo magistrado e situado a uma distância aproximada de 150 quilômetros do aeroporto de Marília. A movimentação da escolta teria ocorrido por solicitação direta do STF para o atendimento de uma autoridade.
Histórico de viagens e aeronaves compartilhadas
A investigação jornalística aponta que o jato de prefixo PR-SAD, operado pela empresa de Vorcaro, também teria sido utilizado em ocasiões anteriores pelo ministro Alexandre de Moraes. Ao longo do ano de 2025, Toffoli registrou dez entradas no terminal executivo da capital federal. A análise técnica das decolagens permitiu identificar as aeronaves utilizadas em seis dessas ocasiões devido à ausência de outros voos simultâneos. Em cinco desses episódios, os aviões pertenciam a frotas de empresários privados.
Vínculos empresariais e afastamento do caso
Em esclarecimentos prestados anteriormente, o gabinete de Dias Toffoli confirmou que o ministro possui participação societária na empresa Maridt, embora a gestão seja conduzida por seus familiares. A nota negou qualquer relação financeira ou pessoal direta com Daniel Vorcaro. A Maridt foi sócia do grupo responsável pelo resort Tayayá até o início de 2025, tendo negociado suas cotas com o Fundo Arleen — gerido pela Reag, instituição vinculada ao Banco Master — e, posteriormente, com a PHB Holding. O magistrado, que chegou a relatar processos de interesse do grupo no STF, não é mais o responsável por essas ações, que foram redistribuídas ao ministro André Mendonça.
Posicionamento da defesa
A defesa de Daniel Vorcaro manifestou-se sobre o caso esclarecendo o período de sua participação na Prime You. Segundo os advogados, o empresário foi acionista da companhia de aviação executiva apenas entre setembro de 2021 e setembro de 2025. A nota ressalta que esse intervalo representa apenas uma fração dos 18 anos de existência da empresa no mercado e reforça que, no momento atual, Vorcaro não possui mais qualquer vínculo societário com a operadora das aeronaves citadas.