Rússia faz teste com míssil nuclear capaz de atingir o território americano após visita misteriosa do diretor da CIA a Moscou
As Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia executaram o lançamento de teste de um míssil balístico intercontinental a partir do cosmódromo de Plesetsk, na região de Arkhangelsk. Segundo o Ministério da Defesa russo, a operação envolveu o deslocamento de uma bateria móvel para uma área remota e teve como objetivo validar parâmetros técnicos do equipamento. As ogivas cumpriram a trajetória prevista e atingiram os alvos estipulados no campo de testes de Kura, na península de Kamchatka.
Embora o modelo específico do míssil não tenha sido divulgado oficialmente, os sistemas de combustível sólido do país abrangem as famílias Topol e Yars, capazes de percorrer até 10.500 quilômetros e atingir o território norte-americano. Enquanto as variantes do Topol transportam uma única ogiva de 800 quilotons, o sistema Yars é equipado com quatro ogivas de 250 quilotons. Dados do SIPRI indicam que a Rússia dispõe de 271 mísseis dessas duas categorias — sendo 78 Topols e 193 Yars —, os quais representam a base do poderio nuclear terrestre do país, somando 56% de suas forças estratégicas.
Bastidores diplomáticos e pressão dos EUA
O exercício militar ocorreu logo após uma visita não anunciada do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscou, onde se reuniu com o chefe do FSB, Alexander Bortnikov. De acordo com informações do The Wall Street Journal, o enviado norte-americano apresentou uma avaliação severa sobre os impactos econômicos e o desempenho das tropas russas na guerra contra a Ucrânia. A iniciativa buscou estabelecer um canal direto com a alta cúpula do Kremlin para alertar contra potenciais agressões aos países do Báltico e evitar uma escalada direta com a OTAN.
Doutrina Tática e Expansão Operacional
Apesar das pressões financeiras e de incursões em seu próprio território, o Kremlin recusa concessões no conflito ucraniano e sinaliza a intenção de intensificar suas operações. Fontes ligadas ao governo russo indicam que o emprego de armas nucleares táticas passou a ser considerado uma alternativa viável. Atualmente, o país detém o maior acervo desse tipo de artefato no mundo, com 1.816 ogivas direcionadas a sistemas como o Iskander, em comparação com as 200 unidades mantidas pelos Estados Unidos.
Para reforçar sua capacidade de ataque de longo alcance, a defesa russa planeja a produção de cerca de 10.000 unidades do novo míssil de cruzeiro Dan-T até 2027. O armamento possui alcance de 500 km, carrega uma ogiva de 135 kg e foi projetado para alvejar blindados, posições fortificadas e infraestruturas leves. Conforme relatórios da inteligência ucraniana, o projeto prioriza componentes de fabricação nacional e permite o disparo por plataformas terrestres ou aéreas, gerando uma redução de custos de aproximadamente 35% em relação a sistemas anteriores.