Renan diz que vai questionar Lula sobre encontro fora da agenda com dono do banco Master
O senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, deu início nesta quarta-feira (4) às atividades de um grupo de trabalho (GT) voltado para o acompanhamento das investigações sobre o Banco Master. A instituição financeira é alvo de apurações da Polícia Federal (PF) devido a suspeitas de fraudes bilionárias.
Em sua primeira declaração à frente do colegiado, Calheiros afirmou que o grupo deve solicitar informações ao presidente Lula sobre encontros realizados com o empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição que foi liquidada pelo Banco Central.
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Questionamentos sobre presença de ministros em reuniões fora da agenda
A estratégia do grupo de trabalho foca na presença de figuras do alto escalão do governo em reuniões que não foram divulgadas oficialmente. Segundo Calheiros, a imprensa registrou que Vorcaro teria sido levado ao presidente em três ocasiões, acompanhado por nomes como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O senador questionou a legitimidade da participação dessas autoridades, ressaltando que, entre os presentes, apenas o ex-ministro Guido Mantega possuía um vínculo formal com o banco na época. Calheiros destacou que todos os envolvidos podem ser chamados a colaborar para esclarecer o que foi tratado nesses encontros.
Registro de visitas ao Planalto e poderes do colegiado
Embora as agendas oficiais omitam esses compromissos, investigações jornalísticas do SBT news confirmam que Daniel Vorcaro e seu pai, Henrique — também alvo da PF —, estiveram no Palácio do Planalto em pelo menos quatro ocasiões. Um desses encontros com o presidente da República teria ocorrido em dezembro de 2024.
O Palácio do Planalto ainda não esclareceu quem foram os anfitriões dessas visitas. Diante desse cenário, Renan Calheiros explicou que a atuação do GT será complementar a outras investigações e que o grupo possui prerrogativas legais para requisitar informações sigilosas e, se aprovado pelo plenário do Senado, solicitar quebras de sigilo bancário e fiscal.