Planalto teme ação militar dos Estados Unidos após cobranças duras de Donald Trump sobre facções
Auxiliares diretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificaram como gravíssimo o relatório enviado pelo governo de Donald Trump ao Congresso dos Estados Unidos. O documento aponta falhas do Brasil no combate a facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), recentemente rotuladas como organizações terroristas por Washington.
O teor das acusações e o fantasma da interferência
No texto enviado na última terça-feira, a gestão americana cobra do Brasil a adoção urgente de medidas enérgicas e afirma que o país tem sido negligente na erradicação desses grupos, enquanto outras nações do hemisfério estariam adotando posturas mais duras. Nos bastidores da diplomacia brasileira, a preocupação principal é que a associação entre o narcotráfico e a segurança nacional dos EUA sirva de pretexto para ações militares unilaterais. O temor é que se repita um cenário drástico como a recente captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, acusado de narcoterrorismo em janeiro.
A resposta oficial do governo brasileiro
Em reação coordenada divulgada pelo Departamento de Estado e pelo Ministério da Justiça, o governo brasileiro rebateu enfaticamente as acusações. A chancelaria argumentou que as críticas constam apenas na parte narrativa do relatório e não têm respaldo jurídico formal. Além disso, o Ministério da Justiça destacou que o documento ignora avanços cruciais, como a sanção da Lei Antifacção aprovada pelo Congresso, e desconsidera o histórico de cooperação bilateral contínua entre Brasil e Estados Unidos no setor de segurança.