PF identifica operador de lobista que teria pago viagens de Lulinha
De acordo com reportagem do Estadão, investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam a atuação de um operador financeiro que teria sido utilizado pela lobista Roberta Luchsinger para realizar saques em espécie e pagamentos direcionados. A apuração sugere que o operador pode ter custeado passagens aéreas para Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tanto Roberta quanto Lulinha são alvos de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência no âmbito federal.
As evidências foram obtidas a partir de diálogos extraídos do telefone celular de Roberta Luchsinger. Os registros indicam que o indivíduo identificado como Ulisses Barbosa exercia funções de motorista além de atuar no esquema financeiro sob suspeita. Com o avanço das apurações, a PF comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a intenção de aprofundar a análise sobre as transações financeiras, o que pode desdobrar-se em indícios relacionados ao crime de lavagem de dinheiro.
Contraponto da defesa e silêncio dos outros citados
Procurado pela reportagem, o advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, refutou as acusações e afirmou que a corporação policial não dispõe de provas concretas de que os valores sacados em dinheiro vivo tenham sido empregados para quitar viagens de seu cliente. A defesa reiterou que Lulinha não mantém qualquer vínculo com o suposto operador financeiro investigado pelas autoridades.
A defesa técnica de Roberta Luchsinger, assim como o motorista apontado nas investigações, optou por não se manifestar sobre os desdobramentos divulgados até o momento.
Mensagens e suposto ocultamento de despesas
Transcrições de mensagens obtidas pelos investigadores mostram ordens diretas de Roberta para que o operador realizasse depósitos bancários em favor de uma agência de viagens utilizada tanto por ela quanto por Lulinha. Em um dos trechos destacados, a lobista instrui o funcionário a efetuar um depósito expressivo, estratégia que a PF suspeita ser utilizada para dificultar o rastreamento dos recursos financeiros.
Os levantamentos apontam ainda que os pagamentos efetuados à agência de viagens coincidem temporalmente com deslocamentos realizados em conjunto por Roberta e Lulinha. Relatórios anteriores elaborados pela inteligência financeira já indicavam a possível utilização de recursos da lobista para cobrir despesas de viagens do filho do presidente.
Gastos com residência e declarações presidenciais
Além dos custos com passagens, a investigação aponta que a lobista despendia valores elevados, estimados em cerca de R$ 100 mil mensais, para a manutenção de um imóvel utilizado por Lulinha. Diálogos analisados pela PF mostram Roberta relatando conversas com Lulinha sobre a necessidade de conter despesas devido a atrasos em repasses financeiros de empresários parceiros.
Em entrevista concedida à Record, o presidente Lula comentou sobre as investigações em curso contra o seu primogênito, destacando que o caso é tratado com rigor e que não há interferência governamental nos trabalhos conduzidos pelas autoridades competentes.