Oposição rejeita trocar apoio a Alcolumbre por indulto a Bolsonaro e mantém foco em penas do 8 de Janeiro
A proposta de discutir um indulto ou anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro não foi suficiente para aproximar a oposição do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Parlamentares da direita resistem em apoiar sua recondução ao comando do Senado nas eleições previstas para 2027 e afirmam que a prioridade imediata é avançar na redução das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A bancada da oposição já vislumbra alternativas próprias para a disputa da presidência da Casa. Os nomes do senador Rogério Marinho (PL-RN) e da senadora Tereza Cristina (PP-MS) despontam como as principais opções do grupo. Além da sucessão no Congresso, o afastamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e mudanças estruturais no Judiciário permanecem no topo da lista de prioridades defendidas pelos congressistas de direita.
Desconfiança e o entrave da dosimetria
Senadores bolsonaristas mantêm um pé atrás em relação às acenações de Alcolumbre. O grupo recorda que, na eleição anterior para a presidência da Casa, houve uma promessa de avanço na anistia aos envolvidos no 8 de janeiro. No entanto, o debate resultou em uma medida considerada bem mais limitada: a chamada Lei da Dosimetria.
A legislação aprovada pelo Congresso buscava garantir a redução de penas, mas segue travada. O dispositivo está suspended desde maio por decisão monocrática do ministro Alexandre de Moraes, que aguarda a conclusão da análise de constitucionalidade pelo plenário do STF. Diante desse cenário, parlamentares apontam que as divergências vão muito além de gestos individuais. O deputado e senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) ressaltou que a crise envolve o equilíbrio entre os Poderes, enquanto o senador Jorge Seif (PL-SC) cravou que a sinalização sobre Bolsonaro não garantirá votos a Alcolumbre.
A articulação do indulto a Bolsonaro
Conforme apurado pela Folha de S.Paulo, Alcolumbre sinalizou a aliados o desejo de dialogar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para propor um indulto humanitário a Bolsonaro. Caso o Governo Federal decline da ideia, a rota alternativa seria costurar um projeto de anistia no próprio Poder Legislativo.
A sugestão inicial foi levada a Alcolumbre pelo senador Laércio Oliveira (PP-SE), sob a justificativa de apaziguar os ânimos e pacificar a política nacional, sem a intenção explícita de barganhar apoio eleitoral. Aliados do ex-presidente do Senado avaliam internamente que um eventual perdão arrefeceria a pressão pelo impeachment de magistrados do Supremo, levando a oposição a focar em reformas institucionais mais amplas no Judiciário.
O cenário eleitoral de 2027 e os próximos passos
A corrida pela presidência do Senado promete um embate acirrado, exigindo ao menos 41 votos entre os 81 senadores para a vitória. O Partido Liberal (PL) projetou uma bancada expressiva de 29 cadeiras para a próxima legislatura e pretende consolidar o nome de Rogério Marinho na disputa. Embora Tereza Cristina também tenha pretensões no pleito, as duas lideranças sinalizam a construção de uma aliança única para fazer frente ao grupo de Alcolumbre.
As peças do xadrez político começam a se mover formalmente nos próximos dias. A bancada do PL agendou uma reunião para a próxima quarta-feira (4), na qual debaterá oficialmente a candidatura do partido. Até lá, o cenário permanece em suspenso: embora as conversas continuem de lado a lado, a oferta de indulto a Bolsonaro ainda não se converteu em uma ponte sólida entre Alcolumbre e a oposição.