Oposição chama veto de Lula de “cruel” e promete resposta rápida no Congresso

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O cenário político nacional foi marcado por uma forte reação da oposição nesta quinta-feira (8), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetar integralmente o chamado “PL da Dosimetria”.

O projeto de lei, que poderia resultar na redução das penas do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por atos, foi barrado no mesmo dia em que os ataques de 8 de janeiro de 2023 completam três anos.

A decisão presidencial foi anunciada durante uma cerimônia no Palácio do Planalto, inflamando os ânimos de parlamentares que defendiam a proposta como um passo para a pacificação.

Relator aponta retrocesso institucional

O deputado federal Paulinho da Força, presidente do Solidariedade e relator do projeto, manifestou repúdio oficial à decisão. Em nota, o parlamentar criticou a postura do Executivo, afirmando que o veto desconsidera o esforço legislativo e reacende tensões políticas que o Congresso já considerava superadas.

Segundo Paulinho da Força, a medida envia uma mensagem de instabilidade ao país, priorizando o confronto em vez da paz institucional. Ele já antecipou que iniciará articulações para reverter a decisão presidencial nas próximas sessões.

Mobilização pela derrubada do veto

No campo da direita, a reação foi igualmente incisiva. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, utilizou as redes sociais para prever uma derrota do governo, afirmando que o veto será derrubado assim que o Congresso retomar suas atividades.

A data de início do ano legislativo, que depende de convocação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, é aguardada com expectativa para fevereiro. Para Cavalcante, a decisão de Lula é motivada por um sentimento de hostilidade contra setores conservadores e o que chamou de “patriotas”.

Acusações de vingança e perseguição

Parlamentares alinhados ao ex-presidente reforçaram a narrativa de que o veto possui caráter pessoal. O deputado Onyx Lorenzoni e o vereador Carlos Bolsonaro classificaram a ação como um ato de “vingança” e “crueldade”, argumentando que o sistema jurídico estaria operando sob um estado de exceção.

Jair Bolsonaro atualmente cumpre pena superior a 27 anos de prisão na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, por tentativa de golpe de Estado, junto a outros cinco condenados.

Defesa de anistia e reconciliação

No Senado, as lideranças oposicionistas também elevaram o tom. Rogério Marinho, líder da oposição na Casa, defendeu a soltura do ex-presidente e dos demais detidos, a quem se referiu como “presos políticos”.

Marinho lamentou o que considera uma falta de “grandeza” do governo federal em promover uma reconciliação nacional por meio de anistias, comparando a situação com outros momentos históricos do Brasil.

Ecoando esse sentimento, o senador Flávio Bolsonaro reiterou a tese de perseguição política e confirmou que a oposição trabalhará em bloco para anular o veto e restaurar o que chamou de “justiça e respeito ao cidadão”.

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