Oposição articula CPMI no Congresso para investigar Lulinha e lobista do INSS
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a deputada Coronel Fernanda (PL-MT) iniciaram a coleta de assinaturas para propor a abertura de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso Nacional. A iniciativa tem como alvo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger. O objetivo do colegiado é apurar denúncias que envolvem suposto tráfico de influência, corrupção, favorecimento indevido, conflito de interesses e o uso da estrutura da Administração Pública Federal para atender a interesses privados.
Para que a comissão mista seja efetivamente instalada, as parlamentares precisam alcançar o apoio mínimo de um terço dos membros de cada Casa legislativa. Isso representa a necessidade de obter ao menos 171 assinaturas entre os deputados federais e 27 adesões no Senado Federal.
Investigação no STF e o esquema do INSS
Tanto Lulinha quanto Luchsinger já estão sob o crivo de três inquéritos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações buscam determinar se a dupla cometeu crimes de lavagem de dinheiro, corrupção e tráfico de influência junto a órgãos federais para beneficiar o empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
Os desdobramentos integram a Operação Sem Desconto, ofensiva que desarticulou um esquema bilionário de abatimentos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social entre os anos de 2019 e 2024. As investigações policiais apontam que a lobista teria recebido repasses financeiros diretos do “Careca do INSS”.
Declarações polêmicas e ameaça de delação premiada
Em entrevista recente à CNN, Roberta Luchsinger admitiu ser amiga próxima de Lulinha e confirmou ter sido a responsável por apresentá-lo ao “Careca do INSS”, embora alegue que o encontro teve caráter estritamente social. Ela declarou ter atuado de forma informal na gestão de agendas do Palácio do Planalto e proferiu duras críticas ao chefe do Executivo, acusando o presidente de omitir encontros do filho com ministros do governo.
Na mesma ocasião, a investigada revelou o interesse em firmar um acordo de delação premiada com as autoridades. Luchsinger afirmou que responderá pelos atos que cometeu dentro do devido processo legal, mas ressaltou que não aceitará assumir culpas isoladamente e que suas declarações não pouparão nenhum dos envolvidos nas apurações, incluindo o filho do presidente.