Objeto interestelar 31/ ATLAS volta ter comportamento inexplicável e divide cientistas

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O astrônomo Avi Loeb, da Universidade de Harvard, reacendeu o debate sobre a natureza do enigmático objeto interestelar 3I/ATLAS. Em uma nova análise divulgada nesta quinta-feira, Loeb sugere que o corpo celeste permaneceu intacto após sua passagem de máxima aproximação do Sol, levantando novamente a polêmica hipótese de que possa ser uma estrutura artificial.

A reversão da hipótese de fragmentação

Anteriormente, o cientista havia especulado que a intensa perda de massa e o súbito aumento de brilho do 3I/ATLAS ao se aproximar do Sol poderiam ser sinais de uma explosão, fragmentando o cometa em pelo menos 16 pedaços. Contudo, ele condicionou essa teoria à possibilidade de o objeto não ser um cometa comum, caso observações subsequentes confirmassem sua sobrevivência à passagem solar sem se desintegrar.

Sem sinais de quebra, mas jatos inexplicáveis

Baseado em imagens recentes capturadas na terça-feira pelo Observatório Óptico Nórdico, nas Ilhas Canárias, Loeb afirma não haver indícios de fragmentação. O ponto central de sua nova argumentação reside nos jatos observados no 3I/ATLAS, que seriam de uma magnitude tão grande que implicariam uma perda de massa incompatível com um cometa natural de seu tamanho.

Segundo o pesquisador, para gerar jatos de quase um milhão de quilômetros de extensão, o objeto precisaria de uma superfície de absorção de luz solar de aproximadamente 1.600 quilômetros quadrados (maior que a Ilha de Manhattan), uma característica irreal para um cometa típico. Embora essa área de superfície pudesse ser alcançada por um objeto altamente fragmentado, sua análise não corrobora a quebra do corpo.

A manobra de uma “nave espacial”

Diante dessas evidências, Loeb reforça sua sugestão de origem artificial para o 3I/ATLAS. Ele teoriza que se os jatos observados fossem, na verdade, um sistema de propulsão tecnológica orientado para o Sol, eles estariam impulsionando o objeto para longe da estrela. Essa manobra seria típica de uma espaçonave buscando acelerar, em vez de usar a gravidade solar para frear.

Ceticismo na comunidade científica

A teoria de Loeb, no entanto, continua a encontrar resistência entre outros cientistas, que defendem um comportamento cometário natural do 3I/ATLAS.

  • Darryl Seligman, professor da Universidade Estadual de Michigan, argumenta que a não desintegração do objeto coincide exatamente com suas previsões. Ele estima que o núcleo do 3I/ATLAS possa ter cerca de 1 quilômetro de diâmetro, conferindo-lhe a resistência necessária para sobreviver à aproximação solar.
  • Outras evidências vêm de dados recentes do radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, que detectaram linhas de absorção de radicais hidroxila, consistentes com a decomposição da água pela luz solar – um processo característico de cometas naturais.
  • Ainda, outros pesquisadores sugerem que Loeb pode ter interpretado erroneamente certos parâmetros do objeto, insistindo que o 3I/ATLAS se comporta de maneira similar a outros cometas conhecidos.

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