Moscou sofre mega-ataque de drones da Ucrânia e refinaria é incendiada; aliados de Putin exigem retaliação nuclear
Moscou foi alvo do maior ataque aéreo por drones desde o início do conflito em larga escala, resultando no fechamento de aeroportos e em um incêndio de grandes proporções em uma de suas principais instalações energéticas. O bombardeio atingiu a refinaria de petróleo de Kapotno — responsável por fornecer 40% da gasolina e metade do diesel da capital —, agravando uma crise de combustíveis que já forçou a Rússia, um dos maiores produtores mundiais, a planejar a importação de combustível por via marítima.
O ataque pegou os moradores de surpresa e gerou pânico nas redes sociais. O tráfego aéreo foi severamente afetado nos aeroportos de Vnukovo, Sheremetyevo e Zhukovsky. No Sheremetyevo, o terminal mais movimentado do país, voos foram suspensos e passageiros precisaram ser evacuados para os estacionamentos. Além disso, estragos foram registrados no shopping center Sadovod, em prédios residenciais da região metropolitana e no anel viário da cidade.
A justificativa de Kiev e o contexto diplomático
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, declarou que a ofensiva foi uma retaliação direta ao bombardeio russo contra o complexo histórico do mosteiro Pechersk Lavra, em Kiev, que na última segunda-feira resultou na morte de cinco civis e causou graves danos à Catedral da Dormição, um patrimônio mundial da UNESCO. Em mensagem de voz, Zelenskyy afirmou que a Ucrânia não desejava a guerra, mas alertou que “se a Ucrânia for queimar, Moscou também queimará”.
A operação ocorreu logo após o líder ucraniano realizar reuniões estratégicas com os presidentes dos Estados Unidos e da França, garantindo novos compromissos de apoio financeiro e militar durante a cúpula do G7. Zelenskyy também viajou a Bruxelas para articular com líderes da OTAN e da União Europeia a aquisição de sistemas avançados de defesa contra mísseis balísticos.
Avanço tecnológico e resposta militar
A interceptação dos drones gerou divergência nos relatos oficiais. Enquanto o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que cerca de 180 drones direcionados à capital foram abatidos, o Ministério da Defesa russo alegou ter destruído um total de 555 dispositivos ucranianos em várias regiões do país.
Especialistas apontam que as imagens do ataque sugerem a utilização dos novos mísseis de cruzeiro híbridos ucranianos Bars. Embora o armamento tivesse um alcance estimado inicial entre 600 e 800 km, a eficiência demonstrada em Moscou indica que a Ucrânia expandiu a capacidade de suas armas de longo alcance, equiparando-se rapidamente ao potencial de produção em massa da Rússia. No momento das explosões, o presidente Vladimir Putin encontrava-se em Kazan, a 700 km da capital, participando de uma reunião de cúpula com líderes da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Escalada do conflito e pressão por retaliação nuclear
O avanço ucraniano no coração da Rússia provocou forte reação entre setores ultraconservadores e aliados do Kremlin. O bilionário Konstantin Malofeev questionou publicamente a hesitação do governo e defendeu o uso do arsenal nuclear estocado no país. De forma semelhante, o deputado e tenente-general reformado Andrey Gurulyov exigiu uma resposta implacável e ataques sistemáticos contra o território ucraniano.
Paralelamente, os combates continuaram intensos em outras frentes. Alertas de ataque aéreo foram acionados em quase toda a Ucrânia, e bombardeios russos com mísseis balísticos atingiram a capital ucraniana e a cidade de Sumy, deixando vítimas civis. Na fronteira e em zonas ocupadas, como a região de Belgorod e a cidade de Enerhodar (próxima à usina nuclear de Zaporizhzhia), novos ataques de drones foram reportados com registro de mortes em ambos os lados, embora Kiev e Moscou continuem negando o direcionamento intencional de alvos civis.