Ministra do STM recebeu R$ 700 mil de empresa ligada ao ‘Careca do INSS’
Uma nova revelação traz à tona questionamentos sobre a integridade das indicações ao Judiciário durante a gestão atual. A ministra Verônica Abdalla Sterman, que assumiu sua cadeira no Superior Tribunal Militar (STM) em setembro de 2025 por indicação direta da Presidência, tornou-se o centro de uma polêmica envolvendo repasses financeiros de uma empresa investigada pela Polícia Federal.
Documentos apontam que a magistrada recebeu R$ 700 mil da ACX ITC Serviços de Tecnologia S/A, montante transferido em parcela única entre o final de 2024 e o início de 2025, meses antes de sua posse na corte militar.
A ACX ITC não é uma empresa comum aos olhos das autoridades. Segundo Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Coaf enviados à CPMI do INSS, a firma é considerada uma peça-chave na lavagem de dinheiro de um esquema bilionário liderado por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
A movimentação da empresa impressiona: mais de R$ 266,6 milhões circularam em apenas quatro meses. Para a Polícia Federal, a ACX funcionava como um instrumento de fragmentação de fluxos financeiros, ocultando beneficiários e dispersando recursos desviados de aposentados e pensionistas através da Arpar Participações, empresa controlada pelo “Careca”.
Diante dos questionamentos, a ministra Sterman, que possui um histórico de atuação na defesa de figuras centrais da política nacional, justificou o recebimento dos R$ 700 mil como honorários profissionais por três pareceres jurídicos na área criminal. Em nota oficial, ela afirmou desconhecer qualquer ligação da ACX ITC com o esquema de fraudes no INSS e ressaltou que sua relação com a empresa foi estritamente profissional e encerrada após a entrega dos serviços.
Contudo, investigações jornalísticas levantam dúvidas sobre a natureza desse trabalho, uma vez que não foram localizados registros de atuação da magistrada em processos judiciais em nome da referida empresa, que possui uma presença digital praticamente nexistente e sites desativados.
O rastro de pagamentos da ACX ITC não se limita a Sterman; o ex-ministro do STJ, Nefi Cordeiro, também recebeu R$ 595 mil da firma após deixar a corte, também sem registros de defesa em processos. O caso ganha contornos de crise política na CPMI do INSS, onde a quebra de sigilos bancários continua a expor como o dinheiro desviado de vulneráveis pode ter irrigado conexões no alto escalão do judiciário.
Críticas ao sistema de indicações e impunidade
Para setores da oposição e críticos do atual governo, o episódio é visto como um exemplo de “ativismo judicial” e conluio político. O argumento central é de que existe um padrão de leniência quando recursos de origem suspeita atingem aliados ou indicados políticos do Palácio do Planalto.
Enquanto os principais operadores do esquema permanecem presos e com bens bloqueados, a sociedade e as frentes parlamentares de combate à corrupção exigem que as investigações alcancem todos os beneficiários dos repasses, independentemente do cargo que ocupam, visando o fim da impunidade seletiva.


