Milhares de asteroides indetectáveis ameaçam a Terra e não há plano de desvio, diz NASA
A Terra encontra-se em um estado de vulnerabilidade diante de milhares de asteroides de médio porte ainda não detectados. O alerta, repercutido pelo New York Post, foi detalhado pela NASA durante uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência.
Segundo Kelly Fast, diretora de Defesa Planetária da agência, estima-se a existência de aproximadamente 25.000 rochas espaciais com pelo menos 140 metros de diâmetro orbitando as proximidades do nosso planeta. O dado mais alarmante, contudo, é que apenas 40% desses objetos foram devidamente identificados e catalogados até o momento.
O perigo dos “assassinos de cidades”
Esses objetos celestes receberam o apelido sombrio de “assassinos de cidades” devido ao seu potencial destrutivo. Embora não possuam massa suficiente para causar uma extinção global, eles são grandes o bastante para devastar regiões inteiras caso atinjam áreas habitadas.
Kelly Fast enfatizou que a localização da vasta maioria dessas rochas permanece um mistério, pois as dimensões reduzidas — para os padrões astronômicos — tornam o rastreamento impossível mesmo com os telescópios mais avançados atualmente em operação na Terra.
Novas tecnologias de monitoramento
Para tentar fechar essa lacuna de segurança, a NASA prepara para o próximo ano o lançamento do telescópio Near-Earth Object Surveyor (NEOS). Diferente dos métodos tradicionais de observação visual, este instrumento operará em órbita captando sinais térmicos.
Essa tecnologia permitirá a detecção de asteroides e cometas escuros, que não refletem luz solar de forma eficiente. A expectativa da agência espacial é que o NEOS seja capaz de elevar o índice de identificação desses objetos de 140 metros para até 90%, trazendo clareza ao cenário de risco.
A lacuna na defesa ativa
Apesar da melhora na vigilância, a capacidade de reação humana ainda é insuficiente. A cientista Nancy Chabot, da Universidade Johns Hopkins, alertou que não possuímos meios para desviar um asteroide que esteja em rota de colisão imediata.
Ela citou o exemplo do asteroide 2024 YR4, que gerou preocupação recentemente, para ilustrar que, embora missões como a Dimorphos em 2022 tenham provado que o desvio é teoricamente possível, não existem espaçonaves prontas para uma interceptação real com curto aviso prévio.
Chabot destacou que o mundo ainda carece de investimentos robustos para transformar os testes científicos em um sistema de defesa planetária operacional e eficaz.