Michelle Bolsonaro pede que encontro no STF não seja visto sob “conotação política”
Após a transferência de Jair Bolsonaro para o Centro de Detenção Provisória do Complexo da Papuda, em Brasília, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou-se publicamente solicitando que sua atuação não seja interpretada sob “rótulos políticos”. Em um apelo direto a aliados e apoiadores nas redes sociais, Michelle pediu cautela e evitou julgamentos antecipados sobre seus recentes movimentos em busca de apoio jurídico para o marido.
Ela enfatizou que todas as ações estão sendo conduzidas com base em preceitos religiosos e que, no momento adequado, as motivações por trás de suas decisões serão compreendidas por todos, reforçando um pedido de confiança na liderança do ex-presidente e em sua própria conduta.
Leia+ Caso Banco Master: Toffoli atende PF e prorroga inquérito sobre crimes financeiros
Ofensiva jurídica e articulação com ministros da Suprema Corte
Informações de bastidores indicam que a ex-primeira-dama tem adotado uma postura ativa na articulação por benefícios penais, tendo inclusive se reunido em audiência com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O objetivo central desses encontros seria sensibilizar os magistrados sobre as condições de saúde do ex-presidente, visando a conversão da pena em prisão domiciliar.
Essa mobilização não se restringe à família; o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também entrou no circuito diplomático, mantendo contato telefônico com pelo menos quatro ministros da Corte nos últimos dias para tratar do caso e buscar uma solução favorável à custódia domiciliar.
Argumentação sobre saúde e contestação da condenação
Michelle Bolsonaro fundamenta o pedido de saída da unidade prisional na fragilidade física de Jair Bolsonaro, alegando que o estado de saúde do marido apresenta riscos elevados, como a possibilidade de quedas, o que exigiria cuidados familiares constantes.
Embora tenha reconhecido que as instalações da “Papudinha” oferecem mais dignidade e são menos prejudiciais do que o local de custódia anterior na Polícia Federal, ela reiterou que a luta pela transferência definitiva para casa continuará. Em uma publicação que foi apagada pouco tempo depois, a ex-primeira-dama chegou a contestar abertamente o processo judicial, negando a existência de qualquer tentativa de golpe e afirmando que o marido nunca deveria ter sido condenado.
A postura de Michelle é vista por analistas como uma tentativa de humanizar o episódio, deslocando o foco da esfera criminal para uma dimensão pessoal e familiar. Ao afirmar que carrega a dor do marido, ela busca consolidar sua imagem como o principal suporte do ex-líder.
Além disso, a ex-primeira-dama reforça constantemente sua conexão com o eleitorado evangélico ao utilizar citações bíblicas e tons messiânicos em suas mensagens. A avaliação interna entre aliados é de que a ida para o Complexo da Papuda representa um avanço técnico na qualidade da detenção, funcionando como um estágio intermediário na estratégia de levar Bolsonaro de volta à residência da família.


