Master repassou R$ 80 milhões a escritório da esposa de Alexandre de Moraes
Dados da Receita Federal encaminhados à CPI do Crime Organizado revelam que o Banco Master destinou aproximadamente R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, entre os anos de 2024 e 2025. O montante teria sido transferido em 24 parcelas mensais de cerca de R$ 3,6 milhões cada, compreendendo o período entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Os registros detalham a execução de um contrato de prestação de serviços jurídicos que, embora previsto inicialmente para durar 36 meses, foi interrompido antecipadamente.
Em esclarecimento sobre a natureza dos repasses, a banca Barci de Moraes Sociedade de Advogados afirmou que os valores são referentes a serviços de consultoria e atuação jurídica técnica. O escritório destacou que sua função incluiu a coordenação de outros três escritórios especializados e reforçou que não houve qualquer tipo de atuação em processos tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a defesa da banca, durante a vigência do acordo, foram realizadas 94 reuniões de trabalho com representantes da instituição financeira para tratar das demandas contratuais.
Colapso financeiro e encerramento de operações
O encerramento dos pagamentos ao escritório, ocorrido em novembro de 2025, coincidiu com um momento de severa crise financeira no Banco Master. A instituição, controlada pelo empresário Daniel Vorcaro — preso em março —, teve sua liquidação decretada pelo Banco Central após a constatação de um desequilíbrio crítico entre ativos e liquidez imediata. Apesar de possuir cerca de R$ 80 bilhões em ativos registrados, o banco mantinha apenas R$ 4 milhões em caixa no momento do fechamento, um montante classificado como insuficiente para a manutenção de suas operações e honra de compromissos.
A insolvência da instituição foi o fator determinante para a intervenção da autoridade monetária, que apontou a baixa liquidez como risco sistêmico. Paralelamente ao colapso bancário, o desfecho das investigações legislativas enfrenta um impasse político no Congresso Nacional. A CPI do Crime Organizado, responsável por analisar as movimentações do banco e seus desdobramentos, deve ter suas atividades encerradas na próxima semana. A decisão parte do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e ocorre sob forte resistência do relator da comissão, senador Alessandro Vieira, que defende a continuidade das apurações.