Lula põe Globo sob suspeição após cúpula da emissora almoçar com Flávio Bolsonaro
Durante agenda de campanha de sua candidatura à reeleição nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou duras críticas à direção da TV Globo. O estopim para o posicionamento do chefe do Executivo foi a realização de um almoço entre a cúpula da emissora e o senador Flávio Bolsonaro poucas horas antes de o parlamentar conceder uma entrevista ao canal.
A sequência das sabatinas foi definida pela emissora por meio de sorteio, fazendo com que Lula fosse entrevistado na quinta-feira, enquanto Flávio foi sabatinado no dia seguinte pela jornalista Renata Lo Prete. A proximidade entre o encontro informal da direção do veículo com o adversário político e a exibição da entrevista gerou forte reação do presidente.
Presidente coloca imparcialidade do canal em cheque
Lula declarou abertamente que a emissora demonstra ressentimento em relação ao seu governo e apontou uma série de medidas e episódios recentes como determinantes para essa postura. Entre os pontos citados pelo petista estão as iniciativas para a derrubada das apostas esportivas, as discussões pelo fim da jornada de trabalho na escala 6×1, a proposta de transporte gratuito aos fins de semana e a prisão do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Diante do cenário, o presidente afirmou que o veículo perdeu a credibilidade no acompanhamento de sua campanha e que a partir daquele momento a cobertura da emissora estaria sob suspeição por parte de seu grupo político.
Discurso lista adversários e aponta apoio popular
Em tom de mobilização para a militância presente no evento, Lula projetou os desafios do embate eleitoral e mencionou a oposição que precisará enfrentar ao longo do pleito. O discurso incluiu citações à influência de líderes internacionais como Donald Trump e Javier Milei, além da extrema-direita, de figuras ligadas a investigações recentes — como o empresário Daniel Vorcaro e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” — e símbolos externos como a bandeira dos Estados Unidos.
Apesar da alfinetada sobre a dimensão dos adversários mapeados na disputa, o presidente concluiu sua fala destacando que a sua principal força reside no eleitorado brasileiro e demonstrou confiança de que sairá vitorioso no momento da votação nas urnas.