Kim Jong-un descarta diálogo e ameaça aniquilar a Coreia do Sul
Em um movimento que eleva drasticamente a temperatura geopolítica na península, o líder norte-coreano Kim Jong-un declarou que Pyongyang está preparada para aniquilar a Coreia do Sul caso o país se sinta ameaçado.
Durante o nono Congresso do Partido dos Trabalhadores, Kim descartou qualquer possibilidade imediata de retomada de diálogo, classificando Seul como o “inimigo mais hostil”. Segundo a agência estatal KCNA, o líder criticou duramente a postura do governo sul-coreano, rotulando suas tentativas de aproximação como manobras enganosas e grosseiras.
Expansão do arsenal e metas militares
O discurso de Kim Jong-un não se limitou à retórica agressiva; ele estabeleceu metas ambiciosas para os próximos cinco anos, focadas na consolidação da Coreia do Norte como uma potência nuclear inquestionável. Com estimativas apontando para um estoque de cerca de 50 ogivas, o regime pretende agora acelerar a produção de material físsil e diversificar seus meios de ataque.
Entre as prioridades listadas estão o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais de lançamento subaquático, além de tecnologias de ponta, como drones e sistemas de armas integrados à inteligência artificial.
O impasse com Washington
No cenário internacional, Kim sinalizou uma postura de espera em relação aos Estados Unidos. Embora tenha demonstrado abertura para futuras conversas, ele transferiu a responsabilidade de qualquer avanço diplomático para a Casa Branca.
Para o líder norte-coreano, a escolha entre a coexistência pacífica e o confronto permanente cabe exclusivamente a Washington, condicionando qualquer melhora nas relações ao fim da política de confronto e ao reconhecimento formal do atual status nuclear de Pyongyang.
Sucessão e simbolismo militar
O encerramento das atividades do congresso foi marcado por um desfile militar que destacou a figura de Ju Ae, a filha adolescente de Kim. Sua presença ao lado do pai e de altos oficiais reforça as especulações sobre a linha de sucessão do regime.
Relatos da inteligência sul-coreana indicam que a jovem teria recebido um cargo estratégico na “Administração de Mísseis”, órgão vital que supervisiona o poderio nuclear do país, sinalizando que o futuro da dinastia permanece intrinsecamente ligado ao desenvolvimento militar.