Japão rompe barreira histórica e instala mísseis capazes de atingir o território chinês

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Em um movimento que redefine sua postura geopolítica global, o Japão oficializou nesta terça-feira a instalação de mísseis de longo alcance em bases estratégicas no país. Segundo informações da agência Kyodo, as unidades militares de Campo Kengun, em Kumamoto, e Campo Fuji, em Shizuoka, já receberam o novo armamento. A iniciativa é vista como uma resposta direta ao avanço da influência chinesa na região e marca uma ruptura histórica com a política de defesa estritamente limitada que o país adotou desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O reforço bélico concentra-se em tecnologias de ponta. No Campo Kengun, foram posicionadas versões atualizadas do míssil antinavio Tipo-12, que agora possuem um raio de ação de aproximadamente 1.000 quilômetros. Simultaneamente, o Campo Fuji passou a abrigar veículos planadores hipersônicos (HGV), capazes de percorrer centenas de quilômetros em velocidades extremas. Juntos, esses sistemas conferem a Tóquio a capacidade inédita de atingir alvos e bases inimigas a grandes distâncias, consolidando uma nova doutrina de “capacidade de contra-ataque”.

Expansão estratégica e modernização naval

O plano de rearmamento japonês não se limita às instalações atuais. De acordo com projeções do governo e da Associated Press, o Ministério da Defesa pretende expandir a presença desses sistemas para outras províncias, como Hokkaido e Miyazaki, com cronograma de finalização previsto para março de 2028. No mar, a modernização também ganha ritmo acelerado: o destróier JS Chokai deverá ser equipado com mísseis de cruzeiro Tomahawk ainda este ano, servindo de modelo para a futura atualização de outros navios da frota japonesa.

Contudo, a militarização tem gerado fortes reações internas. Moradores das áreas vizinhas ao Campo Kengun manifestaram profunda preocupação e indignação com a medida. O temor da população civil é que a presença de armamentos de longo alcance transforme as comunidades locais em alvos prioritários em caso de uma eclosão de conflito armado no Pacífico, elevando o risco para regiões que, até então, eram consideradas zonas de baixa tensão militar.

O fator China e a questão de Taiwan

A aceleração do programa de defesa ocorre em um ambiente diplomático cada vez mais hostil. Na última semana, o Ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, estabeleceu um escritório especializado exclusivamente em monitorar e analisar as manobras chinesas no Pacífico. Esse novo órgão de inteligência reflete o endurecimento do discurso de Tóquio, que ganhou contornos críticos após as declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi.

Em novembro passado, Takaichi sinalizou que o Japão não permaneceria neutro diante de uma eventual agressão militar da China contra Taiwan, sugerindo que tal ação poderia desencadear uma resposta direta das forças japonesas. Com a instalação dos novos mísseis, o Japão deixa de apenas projetar influência diplomática para consolidar as ferramentas militares necessárias para sustentar sua nova e ambiciosa estratégia de dissuasão regional.

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