Irã utiliza satélite chinês secreto para guiar ataques contra bases dos EUA

Compartilhe

Uma investigação publicada pelo Financial Times nesta quarta-feira revelou que o Irã adquiriu secretamente o satélite espião chinês TEE-01B, ampliando drasticamente sua capacidade de monitoramento estratégico no Oriente Médio. O equipamento, fabricado e lançado pela empresa Earth Eye Co. a partir da China no final de 2024, teria sido transferido para o controle da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). Documentos militares vazados indicam que a transação permitiu à República Islâmica mapear, com precisão inédita, bases militares dos Estados Unidos durante o período de hostilidades recentes na região.

Monitoramento de alvos e coordenação de ataques

De acordo com os relatórios, comandantes iranianos utilizaram o satélite para vigiar instalações de alta prioridade, cruzando coordenadas geográficas com registros de data e hora. As imagens capturadas em março coincidem com janelas temporais imediatamente anteriores e posteriores a ataques realizados com drones e mísseis contra forças americanas. Entre os locais monitorados estão a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita — onde o governo dos EUA confirmou danos em aeronaves — além de instalações na Jordânia, no Iraque e nas proximidades da sede da Quinta Frota naval americana, em Manama, no Bahrein.

Imagem de satélite mostra F-15E, A-10 Thunderbolt e C-130 Hercules na Base Aérea de Muwaffaq Salti, em Al Azraq, Jordânia, em 2 de fevereiro de 2026

2026 PLANET LABS PBC/Divulgação via REUTERS )
Infraestrutura logística e suporte tecnológico em Pequim

O acordo entre Teerã e Pequim foi além do fornecimento do hardware espacial. A Guarda Revolucionária obteve acesso direto a estações terrestres comerciais operadas pela Emposat, uma prestadora de serviços de dados sediada na capital chinesa. Com uma rede que se estende pela Ásia e América Latina, essa infraestrutura permitiu ao Irã o controle remoto e a recepção rápida de dados orbitais, fundamentais para a execução de operações militares complexas. Até o momento, órgãos centrais da inteligência americana, como a CIA e o Pentágono, não emitiram comentários oficiais sobre a extensão da cooperação técnica entre as duas nações.

Apesar das evidências documentais, o Ministério das Relações Exteriores da China negou veementemente as acusações, classificando como “falsa” a tese de que o Irã estaria utilizando tecnologia chinesa para direcionar ataques. No entanto, o episódio se soma a recentes relatórios de inteligência que sugerem uma colaboração militar ainda mais profunda. Informações indicam que Pequim estaria se preparando para enviar sistemas de defesa aérea portáteis (MANPADS) ao Irã. Esses equipamentos representam uma ameaça assimétrica significativa, capazes de atingir aeronaves militares que operam em baixa altitude, o que poderia alterar o equilíbrio de forças no teatro de operações do Oriente Médio.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br