Irã lança centenas de mísseis contra Israel em resposta a bombardeios; país entra em estado de emergência
O Ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, formalizou um estado de emergência especial em todo o território nacional neste sábado, após uma escalada sem precedentes nas tensões regionais.
A medida foi tomada em resposta direta a ataques com mísseis e drones lançados pelo governo iraniano, que fez soar sirenes em todo o centro e norte de Israel. A decisão administrativa concede autoridades ampliadas à Defesa Civil para garantir a segurança da frente interna diante da expectativa de novas ofensivas em um futuro próximo.
A ofensiva de Teerã ocorreu como uma resposta a uma operação militar conjunta realizada horas antes por Israel e pelos Estados Unidos. Durante a manhã de sábado, forças israelenses e americanas lançaram um ataque massivo contra o território iraniano, atingindo depósitos de mísseis e lançadores da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).
Segundo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, a ação teve como objetivo estratégico eliminar ameaças iminentes e criar condições para a deposição do regime do aiatolá, convocando o povo iraniano a se libertar do atual governo.
Impactos e defesa antiaérea em solo israelense
No primeiro grande ciclo de ataque, cerca de 125 mísseis foram disparados contra Israel. Embora a maior parte tenha sido interceptada pelos sistemas de defesa, 35 projéteis conseguiram penetrar no espaço aéreo, causando danos materiais.
Em Tirat Hacarmel, no norte do país, estilhaços de um míssil atingiram o 17º andar de um edifício residencial de 20 andares, resultando em um ferido leve. Outro impacto direto foi relatado em um prédio no centro de Israel, mas sem registro de vítimas fatais.
O serviço de emergência Magen David Adom (MDA) prestou atendimento a aproximadamente 89 pessoas ao longo do dia. A maioria dos atendimentos envolveu ferimentos leves sofridos por civis que corriam para abrigos, além de casos de ansiedade aguda provocados pelas explosões e sirenes constantes. Entre os feridos, um jovem de 17 anos foi tratado por lesões causadas por estilhaços na parte inferior do corpo.
Continuidade das ofensivas e vigilância regional
As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram que a ameaça persiste, com sucessivas ondas de drones e mísseis sendo detectadas até o início da noite. Por volta das 18h30, o balanço indicava o lançamento de mais de 200 artefatos contra o Estado judeu, embora fontes em Teerã tenham afirmado que o número total de disparos contra alvos no Oriente Médio pode ter chegado a 1.200.A Jordânia também interveio no conflito, confirmando a interceptação de 49 drones e mísseis iranianos que cruzavam seu espaço aéreo em direção a Israel.
A inteligência israelense permanece em alerta máximo para o risco de abertura de uma segunda frente de batalha na fronteira norte. Existe o temor de que o Hezbollah, no Líbano, decida aderir à ofensiva iraniana de forma coordenada.
Embora tenha havido relatos iniciais de mísseis lançados a partir do território libanês, as IDF negaram a informação posteriormente, mantendo, contudo, o monitoramento rigoroso da região.
Apoio dos EUA e perspectivas de conflito prolongado
O governo dos Estados Unidos reafirmou seu papel central na operação. Em mensagem gravada, o presidente Donald Trump confirmou a participação americana, declarando que o objetivo é impedir que o Irã obtenha armas nucleares e proteger a segurança internacional. Trump dirigiu-se diretamente à população iraniana, sugerindo que a ação militar visa facilitar uma mudança de poder no país.
Líderes políticos em Israel, como Benny Gantz, do partido Unidade Nacional, alertaram a população para a possibilidade de uma campanha militar longa e desgastante. Gantz descreveu o momento atual como uma “oportunidade histórica” para alterar o equilíbrio geopolítico da região, enfatizando que a cooperação com os Estados Unidos não deve ser vista apenas como assistência, mas como um esforço de guerra conjunto e estratégico.