Irã fecha o Estreito de Ormuz, promete punir Israel por ataques ao Líbano e ameaça encerrar cessar-fogo
O governo do Irã sinalizou nesta quarta-feira que o cessar-fogo estabelecido com os Estados Unidos e Israel está sob grave risco de colapso. Teerã condiciona a manutenção da trégua à interrupção imediata das operações militares israelenses no Líbano, que ganharam escala nas últimas horas. De acordo com informações de agências estatais iranianas, as Forças Armadas do país já estão em processo de identificação de alvos estratégicos para uma possível resposta armada, sob o argumento de que os bombardeios de Israel contra o Hezbollah configuram uma violação direta dos termos acordados.
Como primeira medida de pressão, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz para embarcações comerciais. A decisão, confirmada pela agência Fars, é justificada pelas autoridades iranianas como uma reação necessária às ações de Israel. O bloqueio de uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte de energia eleva a tensão internacional e coloca em xeque a estabilidade econômica e diplomática da região, afetando o trânsito de mercadorias em represália ao que Teerã classifica como desrespeito à paz negociada.
Divergências diplomáticas e a exclusão do Líbano
A nova escalada de violência surge a partir de interpretações divergentes sobre o alcance do cessar-fogo. Enquanto o Paquistão, atuando como mediador, afirmou que a interrupção das hostilidades deveria abranger todas as frentes de combate — incluindo explicitamente o território libanês —, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou publicamente que o pacto firmado com Irã e Estados Unidos não inclui o Líbano. Essa postura isolou a frente libanesa das negociações de paz, permitindo que as forças israelenses mantivessem a ofensiva contra o grupo Hezbollah, que é aliado histórico de Teerã.
O conflito entre Israel e Hezbollah, intensificado desde o início de março, tem raízes no apoio iraniano ao grupo, que passou a atacar o território israelense após bombardeios prévios contra o Irã. O resultado dessa dinâmica militar tem sido uma crise humanitária profunda no Líbano. O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, criticou duramente a ofensiva, acusando Israel de ignorar os apelos internacionais e de atingir zonas residenciais com alta densidade populacional, o que tem gerado um rastro de destruição e centenas de vítimas civis, segundo dados do Ministério da Saúde local.
A maior ofensiva militar e os apelos pela paz
Do lado militar, as Forças de Defesa de Israel confirmaram a realização da maior onda de bombardeios desde o início da operação contra o Hezbollah. O Exército israelense alega ter atingido mais de cem centros de comando e instalações logísticas da organização, muitos dos quais estariam localizados em áreas civis. A justificativa de Tel Aviv é que o grupo utiliza a população libanesa como escudo humano, o que legitimaria os ataques contra infraestruturas situadas no coração de comunidades locais. A operação, denominada “Leão Rugindo”, segue ativa com a promessa de neutralizar as capacidades operacionais do Hezbollah.
Diante do iminente retorno a uma guerra total, a diplomacia internacional tenta conter os danos. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fez um apelo urgente para que todas as partes envolvidas respeitem os termos do cessar-fogo e evitem ações que possam anular o progresso obtido nas mesas de negociação. Para o mediador, qualquer violação neste momento sensível prejudica o esforço global para alcançar uma solução definitiva para os conflitos que assolam o Oriente Médio, enquanto Beirute clama por passagens livres para ambulâncias em meio ao caos urbano.