Irã ameaça bases dos EUA e Israel enquanto Trump avalia ataque e número de mortos disparam em manifestações

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O governo do Irã emitiu um alerta severo aos Estados Unidos contra qualquer intervenção militar em seu território, num momento em que o governo de Donald Trump analisa formalmente opções de resposta à violenta repressão estatal contra manifestantes.

A crise, desencadeada originalmente por questões econômicas, escalou para um movimento político que exige a queda do regime, enfrentando uma reação das forças de segurança que já deixou centenas de mortos e milhares de detidos em todo o país.

O rastro de sangue e o apagão digital

Relatórios de organizações de direitos humanos indicam um cenário devastador. A Human Rights Activists News Agency (HRNA) estima que ao menos 538 pessoas perderam a vida, das quais 490 seriam manifestantes, além de registrar mais de 10.600 prisões.

Outras entidades, como a Iran Human Rights, confirmam números elevados, embora ressaltem que a contagem oficial é dificultada por um bloqueio quase total da internet imposto por Teerã. O uso de munição real e força letal contra civis desarmados tem sido relatado de forma consistente, com testemunhas descrevendo cenas de pânico em bairros de Teerã e Mashhad.

Ameaças de retaliação e o papel de Washington

Diante da escalada da violência, o presidente Donald Trump utilizou a rede Truth Social para declarar apoio aos manifestantes, afirmando que os EUA estão “prontos para ajudar” e alertando para consequências caso o massacre continue.

Na próxima terça-feira, a equipe de segurança nacional deve apresentar a Trump um leque de opções que inclui ataques militares, operações cibernéticas e ampliação de sanções econômicas. Em resposta, Mohammad-Bagher Ghalibaf, presidente do parlamento iraniano, advertiu que qualquer agressão americana transformará bases militares dos EUA no Oriente Médio e o território de Israel em “alvos legítimos” de contra-ataque.

Narrativa oficial e o luto estatal

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, adotou uma linha dura, atribuindo os distúrbios a “terroristas urbanos” financiados por potências estrangeiras. Pezeshkian convocou a população para uma “marcha de resistência” e instou as famílias a impedirem que jovens se unam aos protestos.

Em um movimento para consolidar sua base, o governo declarou três dias de luto nacional, mas dedicou a homenagem exclusivamente aos membros das forças de segurança mortos nos confrontos, a quem chamou de “mártires”.

Resistência nas ruas e a sombra do passado

Apesar da ameaça de pena de morte para quem for acusado de ser “inimigo de Deus” e da imposição de uma virtual lei marcial em cidades como Sari, a resistência persiste. Vídeos filtrados por conexões via satélite mostram multidões desafiando o toque de recolher e confrontando a polícia. No exílio, figuras como Reza Pahlavi ganham tração entre os manifestantes, posicionando-se como alternativas ao atual regime

O contexto é de extrema fragilidade para Teerã, que além do levante interno, lida com uma economia em frangalhos e os reflexos de confrontos militares recentes com Israel, tornando o cenário atual um dos mais desafiadores em décadas para a teocracia iraniana.

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