Ibovespa desaba mais de 15%, dólar dispara e B3 aciona Circuit Breaker após reeleição de Lula

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O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte volatilidade e forte aversão ao risco nesta segunda-feira (26), dia seguinte à confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Frustrando a ala dos investidores que apostava na vitória do candidato Flávio Bolsonaro, a confirmação das urnas gerou imediata apreensão sobre a trajetória fiscal do país. Logicamente, os ativos despencaram na abertura dos negócios, levando a B3 a acionar o mecanismo de circuit breaker nos primeiros minutos do pregão, o que paralisou temporariamente as negociações.

Logo após o início dos trabalhos às 10h, a Bolsa de Valores suspendeu por 30 minutos o comércio de ativos à vista, renda fixa privada, BDRs, ETFs e opções indexadas a diversos indicadores, como o Ibovespa, IBrX-50 e Índice Small Cap. Trata-se de um dispositivo de proteção da B3 projetado para interromper o mercado e conter a onda de pânico em momentos de desvalorizações abruptas e descontroladas.

Tombos expressivos na bolsa e no câmbio

Com o retorno da sessão, o tom negativo permaneceu acentuado na praça doméstica. Por volta das 11h, o Ibovespa desabava 15,9%, cotado a 172.479,84 pontos, após ter tocado a mínima de 169.516,43 pontos ao longo da manhã. O movimento atingiu em cheio os papéis mais sensíveis às taxas de juros e ao consumo interno, exemplificado pela queda drástica da C&A, cujas ações chegaram a tombar 50%. Paralelamente, os contratos futuros do índice já previam uma derrocada de quase 15% antes mesmo da consolidação dos negócios.

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No mercado cambial, a desvalorização da moeda brasileira também foi expressiva. O dólar saltou 12,2% na sessão, atingindo a patamar de R$ 5,60. A rápida alta reflete o reposicionamento imediato dos fundos e investidores globais diante da incerteza sobre os rumos fiscais, o ritmo dos gastos públicos e a composição da nova equipe econômica do governo eleito.

Sangria dos ativos brasileiros no exterior

A forte desvalorização, contudo, já havia sido antecipada nas negociações internacionais antes do início das operações no Brasil. Em Nova York, o iShares MSCI Brazil ETF (EWZ), principal fundo negociado em bolsa que serve de referência para as ações brasileiras no exterior, amargou uma queda próxima a 27% na pré-abertura. Nos mercados futuros de Chicago, as posições em real recuavam cerca de 10%, projetando uma paridade implícita ao redor de R$ 5,58 por dólar.

As empresas brasileiras listadas no mercado norte-americano também registraram perdas severas. A Petrobras viu seus recibos de ações recuarem cerca de 22%, enquanto os papéis das grandes instituições financeiras brasileiras, como Itaú e Bradesco, acumularam retração ainda mais acentuada. Esse cenário reflete o desfazimento de posições construídas nas semanas anteriores, quando o mercado financeiro precificava uma vitória de Flávio Bolsonaro e uma agenda fiscal mais austera, voltando agora a atenção total para os primeiros sinais de composição de governo e responsabilidade fiscal de Lula.

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