Houthis atacam alvos sauditas no Mar Vermelho com chuva de mísseis e alvejam refinaria da Aramco com drones
O grupo Houthi no Iêmen declarou nesta sexta-feira ter realizado um ataque de grande proporção utilizando um “grande número de mísseis balísticos” contra concentrações de forças, depósitos de armas e embarcações militares associadas à Arábia Saudita e seus aliados na região estratégica de Al Mokha. Segundo o porta-voz militar do movimento, Yahya Saree, os projéteis atingiram com precisão os alvos estabelecidos, resultando na destruição de navios e armamentos, além de deixar dezenas de mortos e feridos entre as tropas alinhadas a Riad.
Saree reiterou que as ofensivas não devem cessar e prometeu manter os alvos sauditas sob constante pressão armada. O porta-voz advertiu que o grupo continuará atingindo qualquer agrupamento militar inimigo no território onde estiver localizado, sinalizando que a onda de violência na região do Mar Vermelho está longe de um desfecho diplomático.
Tensão militar atinge a navegação comercial e rotas do petróleo
A nova investida ocorre em um cenário de rápida deterioração das relações entre os rebeldes e a Arábia Saudita. Desde a decretação de um embargo marítimo contra os sauditas pelo grupo iemenita em 20 de julho, diversos ataques já foram registrados contra petroleiros e infraestruturas cruciais de energia no Mar Vermelho, incluindo instalações em Yanbu e a refinaria de Jizan. As hostilidades já causam impactos diretos no fluxo comercial de petróleo: analistas de rastreamento marítimo relatam que embarcações sauditas na região de Yanbu começaram a operar “no escuro”, desligando transmissores públicos de localização para evitar novos alvos.
O conflito ganha contornos ainda mais complexos após a assinatura de um recente acordo de defesa mútuo em Meca entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, o qual estabelece que uma agressão a qualquer dos participantes será vista como um ataque a todos. Em paralelo, Riad formalizou uma aliança marítima multinacional para blindar rotas críticas como o Estreito de Bab el-Mandeb, o Mar Vermelho e o Golfo de Aden. No entanto, especialistas apontam incertezas sobre como esse pacto de defesa atuaria na prática contra as ações assimétricas dos Houthis, já que os termos divulgados não especificam se a resposta militar dos aliados seria automática.
Mísseis e drones ampliam a resposta contra infraestrutura saudita
A escalada do conflito não se limita aos confrontos marítimos. Paralelamente às operações em Al Mokha, as forças iemenitas realizaram um ataque com drones direcionado às instalações petrolíferas da gigante Aramco, localizadas na cidade saudita de Najran. Segundo fontes militares locais divulgadas pela agência Saba, o bombardeio com aeronaves não tripuladas foi uma retaliação direta a violações da soberania do Iêmen, provocadas por incursões recentes da aviação de caça saudita no espaço aéreo a nordeste de Saada.
A dinâmica atual de retaliações mútuas ameaça consolidar uma nova e perigosa frente de guerra no Oriente Médio. Após uma série de incursões aéreas sauditas contra posições rebeldes na cidade portuária de Hodeida, a resposta imediata com disparos de mísseis balísticos contra o território do reino confirma a estratégia Houthi conhecida como “bloqueio por bloqueio”. A tática do grupo surge como uma reação direta ao cerco econômico e militar liderado por Riad ao Iêmen que se arrasta desde 2015, agora alimentada também pelas crescentes tensões regionais envolvendo os Estados Unidos e o Irã.