Hackers chineses invadem e-mails de comissões estratégicas do Congresso americano
Um grupo de hackers vinculado à China conseguiu comprometer as contas de e-mail de funcionários que ocupam cargos em comissões essenciais da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.
De acordo com informações reveladas pelo jornal Financial Times, a investida atingiu assessores que lidam com temas sensíveis de inteligência, forças armadas e relações exteriores.
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O grupo responsável pelo ataque foi identificado por investigadores como “Tufão de Sal” (Salt Typhoon), uma célula de espionagem cibernética que já vinha sendo monitorada pelas autoridades americanas por sua capacidade de infiltração em sistemas de alto escalão.
Histórico de monitoramento e o alcance do Tufão de Sal
A atuação desse grupo não é um fato isolado e representa uma preocupação persistente para a comunidade de inteligência dos Estados Unidos. Suspeita-se que os hackers operem sob ordens diretas de Pequim com o objetivo de interceptar comunicações telefônicas e dados de políticos e funcionários governamentais.
Incidentes anteriores já haviam sido notificados pelo Sargento de Armas do Senado, indicando que o Escritório de Orçamento do Congresso também esteve na mira dos criminosos. A recorrência desses ataques reforça a tese de que agentes estrangeiros buscam obter acesso secreto e de longo prazo a redes críticas para influenciar ou monitorar decisões financeiras e militares do país.
Críticas à segurança cibernética e reações políticas
A recente vulnerabilidade exposta reacendeu o debate sobre a eficácia das proteções digitais no governo americano. O senador Mark R. Warner, vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, alertou que as medidas voluntárias adotadas pelas empresas e agências não são mais suficientes para conter invasores tão sofisticados.
Warner defendeu a necessidade de maior transparência e de regulamentações mais robustas, criticando movimentos recentes que tentam revogar normas de segurança cibernética. Segundo o parlamentar, o governo e os órgãos reguladores deveriam fortalecer as barreiras de defesa em vez de flexibilizá-las diante de ameaças constantes.
Negativas de Pequim e silêncio das agências federais
Apesar das evidências apontadas por relatórios de inteligência, o governo chinês mantém uma postura de negação. O porta-voz da Embaixada da China, Liu Pengyu, classificou as acusações como especulações sem fundamentos e negou qualquer envolvimento do Estado em atividades de espionagem.
Por outro lado, órgãos centrais da administração americana, como o FBI e a Casa Branca, optaram por não comentar o incidente de forma imediata. Os gabinetes dos comitês afetados pela operação de vigilância também não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre o volume de dados que podem ter sido desviados.


