Groenlândia sob mira: Europa articula resposta a ameaças de invasão dos EUA

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A diplomacia europeia entrou em estado de alerta máximo após as recentes declarações do governo de Donald Trump sobre uma possível tomada de controle da Groenlândia. A França confirmou que está coordenando uma estratégia com seus aliados para reagir a qualquer tentativa de invasão do território ártico pelos Estados Unidos.

O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, revelou que o tema será o eixo central de uma reunião emergencial com os chanceleres da Alemanha e da Polônia, enfatizando que qualquer ação será tomada em uníssono com os parceiros da União Europeia.

O futuro da OTAN em xeque

A postura de Washington gerou uma reação severa da Dinamarca. O governo dinamarquês alertou que uma intervenção militar dos EUA na Groenlândia — que integra o reino dinamarquês — significaria o colapso imediato da OTAN e o fim da estrutura de segurança estabelecida no pós-Segunda Guerra Mundial.

Em resposta, Trump utilizou suas redes sociais para enviar mensagens ambíguas: embora tenha afirmado que os EUA “sempre estarão ao lado da OTAN”, voltou a criticar os aliados pelo baixo investimento em defesa e sugeriu que, sem a presença americana, a aliança não intimidaria a Rússia ou a China.

Divergências na Casa Branca e o fator Rubio

Enquanto assessores diretos do presidente Trump afirmam que o uso da força militar “é sempre uma opção” para adquirir o território, sinais contraditórios surgem do alto escalão diplomático. O ministro Barrot declarou ter recebido garantias do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de que a possibilidade de uma invasão foi descartada. No entanto, o clima de instabilidade persiste, alimentado pelo recente precedente da operação militar americana na Venezuela, que depôs Nicolás Maduro e elevou a retórica expansionista de Washington a patamares inéditos.

Resistência dinamarquesa e contestação de fatos

Em Copenhague, o parlamento dinamarquês convocou uma sessão extraordinária para tratar da crise. O chanceler Lars Løkke Rasmussen e a ministra groenlandesa Vivian Motzfeldt buscam uma audiência urgente com Rubio para tentar reduzir a voltagem do conflito. Rasmussen rebateu as alegações de Trump de que a Groenlândia estaria “infestada” de navios russos e chineses, classificando a narrativa da Casa Branca como uma interpretação distorcida da realidade.

Para reforçar a soberania local, o Ministério da Defesa da Dinamarca destacou que o país já investiu cerca de 100 bilhões de coroas dinamarquesas em segurança na região, refutando a tese de que o território estaria desprotegido.

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