Gianni Infantino e a FIFA coroam Trump com prêmio da paz; veja vídeo

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O presidente da FIFA, Gianni Infantino, um dos mais notórios aliados de Trump no mundo esportivo, entregou o prêmio no palco do Kennedy Center for the Performing Arts, na última sexta-feira. Infantino justificou a escolha de Trump como um reconhecimento pelas suas “ações excepcionais e extraordinárias para promover a paz e a união em todo o mundo.” Ele acrescentou: “Este é o seu prêmio, este é o seu prêmio da paz… Há também uma linda medalha para você, que poderá usar onde quiser,” enquanto Trump subia ao palco para aceitar o troféu, a medalha e um certificado.

A FIFA estabeleceu o prêmio para homenagear “indivíduos que ajudam a unir as pessoas em paz por meio de compromisso inabalável e ações especiais.” A entidade máxima do futebol não forneceu detalhes sobre o processo de seleção. No entanto, uma investigação do jornal The Guardian revelou que um novo comitê de “responsabilidade social”, presidido pelo controverso magnata birmanês Zaw Zaw, será responsável por propor o processo para futuras premiações.

Trump, que há muito busca reconhecimento internacional, compareceu à cerimônia e aceitou a condecoração diante de dirigentes da FIFA, diplomatas e convidados. Ele classificou o prêmio como “uma das maiores honras da minha vida” e afirmou ter “salvado milhões e milhões de vidas.” Ele citou o Congo, afirmando ter evitado milhões de mortes, e também mencionou a Índia e o Paquistão, alegando ter encerrado “tantas guerras diferentes, em alguns casos pouco antes de começarem.”

Declarações e controvérsias sobre conflitos

O ex-presidente prosseguiu elogiando Infantino por “bater recordes de vendas de ingressos” e previu que o torneio de 2026 será “um evento como talvez o mundo nunca tenha visto.” Ele encerrou seu discurso reafirmando: “O mundo é um lugar mais seguro agora… somos o país mais quente do mundo.”

As alegações de Trump sobre o número de conflitos que ele teria “encerrado” são questionáveis. O ex-presidente, que frequentemente insiste que deveria receber o Prêmio Nobel da Paz, realizou uma série de ações militares, algumas com justificativas controversas. Suas intervenções no conflito de Gaza e na guerra na Ucrânia, onde se autodenominou um pacificador, foram fortemente criticadas como unilaterais e ineficazes.

Entre as guerras que Trump afirma ter “encerrado” está Gaza, onde o conflito, embora em menor escala, ainda persiste, incluindo ataques israelenses e a ocupação contínua da faixa costeira. Ele também afirma ter encerrado a guerra Irã-Israel, um conflito de 12 dias no qual os EUA participaram ativamente ao lado de Israel, lançando seus próprios ataques aéreos.

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Além disso, Trump alegou ter desempenhado um papel significativo no fim de um breve agravamento das tensões de longa data entre a Índia e o Paquistão em maio, embora a Índia tenha negado que o seu envolvimento tenha sido relevante. Os EUA, ou pelo menos Trump, parecem ter tido um papel mais significativo na mediação dos conflitos entre a Armênia e o Azerbaijão, e entre a Tailândia e o Camboja. Contudo, suas alegações sobre o fim dos combates entre rebeldes apoiados por Ruanda e a República Democrática do Congo foram contraditas pela continuidade dos confrontos. Suas reivindicações de pacificação da Sérvia e Kosovo, e do Egito e Etiópia, são consideradas infundadas, visto que não há conflitos ativos naquelas regiões.

As ações de Trump em âmbito nacional também parecem contradizer sua imagem de pacificador, como o uso de ataques militares letais contra pequenas embarcações no Caribe com base em alegações legais duvidosas sobre ameaças de “narcoterroristas”, o que também o levou a ameaçar a Venezuela.

A relação próxima entre a FIFA e a órbita de Trump

A decisão de conceder a Trump a primeira premiação da FIFA provavelmente intensificará o escrutínio sobre os estreitos laços da organização com sua órbita política. Trump tem utilizado plataformas esportivas para fortalecer sua imagem no exterior e tem feito campanha agressivamente pelo ganhador do Nobel. Após o prêmio deste ano ter sido concedido à líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, republicanos de alto escalão denunciaram a decisão como “política acima da paz.”

A relação de Infantino com Trump tornou-se cada vez mais visível antes da Copa do Mundo de 2026, que será co-organizada pelos Estados Unidos, Canadá e México. Os dois apareceram juntos em uma cúpula no Egito em outubro, e Infantino tem argumentado repetidamente que o futebol pode “investir na felicidade” e transmitir “uma mensagem de paz,” mesmo que não possa “resolver conflitos.”

A FIFA também fortaleceu seus laços com o círculo íntimo de Trump. No início deste ano, a organização nomeou Ivanka, filha de Trump, para o conselho de uma iniciativa educacional de US$ 100 milhões, financiada em parte pela receita da venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026. O torneio de 2026, que começa em 11 de junho e contará com um número recorde de 104 partidas em 16 cidades-sede, foi promovido pela FIFA como uma oportunidade para “unir o mundo.”

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